A Sony é por vezes uma marca muito confusa. Ora faz portáteis, ora deixa de os fazer. Ora faz TVs incríveis, ora parece querer deixar de as fazer, mas acaba por nunca abandonar o mercado. Dito tudo isto, a Sony decidiu pegar em todas as suas valências e criar a submarca gaming INZONE, que vai muito além do ecossistema PlayStation.
Agora temos novos produtos, e de facto, várias novas apostas interessantes. Afinal de contas, temos uns novos auscultadores open-back, algo que continua a ser raro neste segmento. Além disso, apareceu também um monitor OLED pensado quase exclusivamente para a malta que leva FPS competitivos demasiado a sério.
Ou seja, a Sony não quer apenas vender periféricos gaming. Quer entrar na conversa mais séria do PC competitivo.
Os novos H6 Air são estranhos. E isso até é uma coisa boa.
O primeiro destaque vai para os novos INZONE H6 Air, os primeiros auscultadores open-back da marca pensados para gaming. E isto importa, porque o mercado continua cheio de headsets fechados que isolam bem, mas que muitas vezes acabam por soar mais apertados e mais artificiais.
Importa porque a lógica de uns open-back é precisamente a oposta. Deixar o som respirar mais, reduzir reflexos internos e tentar criar uma apresentação mais aberta, mais natural e mais próxima daquilo que os teus ouvidos conseguem ler melhor num jogo competitivo ou num ambiente mais imersivo.
É uma escolha mais arriscada? Sim. Porque também deixa entrar mais ruído exterior e não serve da mesma forma para toda a gente. Mas ao menos mostra que a Sony quer fazer algo diferente.
Leves, em alumínio, e com ADN de áudio mais sério
De facto, a Sony diz que os drivers foram desenvolvidos especificamente para este modelo, com inspiração técnica nos MDR-MV1, os seus auscultadores de referência para produção de áudio. Isto é interessante, porque mostra uma tentativa clara de puxar um pouco da experiência mais audiófila para o lado gaming.
Além disso, os H6 Air pesam apenas 199 gramas, sem contar com cabo e microfone. Isso coloca-os imediatamente numa posição muito mais confortável para sessões longas, especialmente num mercado onde ainda há muito headset gaming que parece um capacete de mota com RGB.
Se o conforto se confirmar no uso real, pode muito bem ser uma das melhores armas deste produto.
Chegam às lojas em abril por 200 euros.
O M10S II é um monitor para quem já perdeu a cabeça
Do outro lado da mesa aparece o novo INZONE M10S II, um monitor OLED de 27 polegadas desenvolvido em parceria com a Fnatic. E aqui a conversa já entra noutro nível.
Estamos a falar de um painel com estrutura tandem OLED, pensado para aumentar brilho sem sacrificar os tempos de resposta, e com dois modos muito específicos. 1440p a 540 Hz e 1080p a 720 Hz.
Sim, leste bem. 720 Hz.
0,02 ms, base redesenhada e foco total em FPS
A Sony promete 0,02 milissegundos de tempo de resposta, o que coloca este monitor diretamente no território da obsessão competitiva. A base também foi redesenhada com feedback da Fnatic, ficando muito mais fina e permitindo encaixar teclados inclinados por baixo sem grandes problemas.
Isto parece um detalhe pequeno, mas não é. Quando um monitor começa a ser desenhado a pensar na posição do teclado, na inclinação da secretária e no espaço útil para jogar shooters, já sabes exatamente para quem foi feito.
Não é um monitor para ver filmes. Não é um monitor para uso casual. É uma arma de trabalho para quem vive de milissegundos.
O preço é para a Liga dos Campeões!
O INZONE M10S II chega em junho por 1350 euros, com três anos de garantia e proteção OLED com dissipadores de calor integrados. Não é barato. Aliás, este é o tipo de produto que a Sony quer usar para dar credibilidade à marca INZONE no topo do gaming PC.
Nunca vai vender muito. Mas… Quem o comprar, fica bem servido.
A Fnatic está em todo o lado nesta estratégia!
Além dos dois grandes lançamentos, a Sony também mostrou versões especiais Fnatic de alguns acessórios já conhecidos. Há um rato INZONE Mouse-A por 200 euros, o tapete Mat-F por 110 euros, o Mat-D por 70 euros, e ainda uma nova cor translúcida “Glass Purple” para os INZONE Buds, também por 200 euros.
Isto mostra bem a ideia. A Sony quer transformar a INZONE numa marca com identidade própria dentro do gaming, e a parceria com a Fnatic serve precisamente para isso. Dar legitimidade competitiva a produtos que, sem esse empurrão, continuariam a parecer apenas mais uma aventura da Sony no mundo dos periféricos.
No fim do dia, a Sony está a enveredar por um caminho diferente, e isso é bom.
A linha INZONE nunca me pareceu propriamente má. O problema é que também nunca pareceu totalmente decidida. Faltava-lhe uma direção mais clara, mais personalidade e mais coragem para sair do básico.
Com os H6 Air e com o M10S II, essa coragem começa finalmente a aparecer. Uns auscultadores open-back para gaming não são uma escolha óbvia. Um monitor OLED a 720 Hz também não. Mas pelo menos são produtos com uma identidade muito própria.
É um bom caminho.








