A rede móvel da DIGI Portugal continua a evoluir, e apesar de muita coisa passar completamente ao lado do utilizador comum, há pequenos sinais técnicos que mostram bem que a operadora ainda anda a afinar a máquina.
No fundo, estamos a falar de mudanças no 2G, no 4G, nos cartões SIM, e até na forma como a rede se apresenta aos equipamentos. Isto pode soar demasiado técnico à primeira vista, mas a verdade é simples.
Ou seja, a DIGI ainda está a construir a sua base, e estes detalhes ajudam a perceber para onde a operadora quer ir.
O 2G continua vivo. Mas claramente não foi pensado para dados.
Portanto, uma das conclusões mais curiosas desta análise à rede da DIGI está no lado do 2G.
Isto porque a operadora mantém suporte para chamadas de emergência, attach e detach de rede, restabelecimento de chamadas, e vários outros parâmetros clássicos da sinalização GSM. Ou seja, o 2G está lá, está funcional, e continua a ter utilidade.
Mas há aqui um detalhe importante. Não há GPRS nem EDGE.
Isto significa que o 2G da DIGI parece estar pensado sobretudo para voz, fallback e serviços básicos, não para dados móveis à moda antiga. É uma escolha interessante, porque mostra uma abordagem muito mais focada em manter uma camada de suporte para chamadas e compatibilidade, sem perder tempo com tecnologias que hoje já valem muito pouco para a maioria dos utilizadores.
Ao mesmo tempo, a DIGI está a reorganizar frequências entre 2G e 4G!
Outro ponto muito relevante tem a ver com a forma como a operadora está a distribuir o espectro. Há referências ao LTE nos 900 MHz com 5 MHz em alguns locais, enquanto em várias zonas o LTE 1800 passou de 15 MHz para 10 MHz.
Traduzindo isto, a DIGI parece estar a mexer nas peças do tabuleiro para equilibrar melhor a rede. E isso faz sentido. Ou seja, se quer reforçar o GSM em 1800 MHz em certos locais, então tem de ir buscar esse espaço a algum lado.
No fundo, a operadora está a tentar arrumar a casa.
Há sinais de que o GSM nos 1800 MHz está mesmo a ganhar peso
Os dados técnicos também mostram referências claras ao DCS 1800 MHz no 2G, com listas de ARFCNs e informação trocada entre bandas na própria sinalização da rede. Ou seja, há sinais concretos de que a DIGI está a usar o 1800 MHz para reforçar a componente GSM em alguns cenários.
Isto é curioso porque muita gente assume que o 2G já não interessa para nada. Só que isso não é bem verdade. Enquanto houver chamadas em fallback, equipamentos antigos, cenários de cobertura específicos e certas necessidades de rede, o 2G continua a ter um papel muito real.
Os cartões SIM também estão a mudar!
Outra parte interessante desta história está nos próprios cartões SIM. Os mais recentes já trazem o nome da operadora uniformizado para DIGI PT, recebem informação por NITZ para data, hora e fuso horário, e já incluem listas de redes preferidas e proibidas memorizadas.
Ou seja, a DIGI também anda a mexer no lado menos visível da experiência de rede, que é precisamente aquele que ajuda a dar mais consistência ao comportamento do telemóvel no dia a dia.
Até o menu STK Digi mudou em alguns cartões, como noticiámos há alguns dias atrás. Em certos casos desapareceu, noutros continua presente, mas sem permitir alterações. Isto mostra, mais uma vez, que a operadora continua em fase de ajuste e limpeza de processos.
Há mais pequenas pistas que mostram uma rede ainda em construção.
Também há referência a Cell Broadcast ativo, mas sem conteúdo emitido. Isto quer dizer que a funcionalidade existe e é suportada, mas ainda não está a ser usada para passar mensagens reais na rede. O mesmo tipo de lógica aparece noutras áreas. Está tudo preparado, mas nem tudo está realmente em operação plena.
É precisamente este tipo de detalhe que mostra como a DIGI ainda está a crescer por camadas. Primeiro mete a base a funcionar, depois organiza frequências, depois afina software, depois limpa os cartões, e só mais tarde começa a explorar tudo o resto com mais maturidade.
No fim do dia, a rede da DIGI continua a amadurecer. Acima de tudo, é uma boa notícia para o mercado.
O mais importante aqui não é decorar siglas nem andar atrás de ARFCNs. O mais importante é perceber a mensagem geral. A DIGI continua a mexer a sério na sua rede móvel. Está a reorganizar espectro, a ajustar o equilíbrio entre 2G e 4G, a atualizar cartões SIM e a preparar funcionalidades que ainda não estão totalmente visíveis para o público.
Ao mesmo tempo, continua a montar antenas, e como tal, a melhorar cobertura. Sim, ainda há trabalho por fazer. Ainda há decisões a afinar. Mas, está a evoluir. A DIGI não está parada.








