Estava a arrumar o escritório antigo lá de casa, focado em limpar o fundo das gavetas cheias de dossiers, cabos perdidos e a habitual pilha de telemóveis velhos esquecidos. Efetivamente, achava que era apenas lixo tecnológico inofensivo e até achei piada rever os velhinhos smartphones da família. Por isso, apanhei o maior susto da minha vida ao perceber que o que encontrei no meio daquelas arrumações não era apenas lixo, mas sim uma bateria completamente inchada e prestes a rebentar, à espera da oportunidade perfeita para incendiar a casa. É um perigo que se esconde nas gavetas da tua casa.
O perigo nas gavetas da tua casa: porque é que as baterias incham do nada?
Antes de mais, as baterias de iões de lítio degradam-se com o passar do tempo através de um processo chamado decomposição eletrolítica. Neste sentido, à medida que a bateria envelhece, seja por sucessivos ciclos de carga ou por estar simplesmente fechada numa gaveta durante anos a fio, o fluido no seu interior começa a desfazer-se e a produzir gás.
Como resultado, como esse gás não tem por onde escapar, o invólucro selado infla a partir do interior. Além disso, guardar um equipamento parcialmente descarregado durante um longo período de tempo é uma das formas mais fáceis de forçar uma bateria de lítio a inchar. O aparelho que encontrei estava certamente arrumado há mais de uma década.
Uma bomba-relógio nas tuas arrumações
Por outro lado, o maior problema de uma bateria inchada é a sua instabilidade extrema. De facto, os químicos e elementos utilizados na composição da bateria são altamente inflamáveis. Também incrivelmente difíceis de extinguir pelos meios tradicionais de combate a incêndios.
Desta forma, se o invólucro for danificado ou perfurado no meio de outros objetos da gaveta, pode causar uma reação térmica violenta que gera um calor intenso, levando a danos materiais extensos ou situações muito mais graves. Adicionalmente, mesmo sem furos, a produção contínua de gás aumenta a pressão interna de forma constante, forçando o ecrã a descolar do chassi ou rachando a própria estrutura do aparelho. O problema nunca estabiliza por si só.

Como identificar e o que fazer de imediato
Paralelamente, identificar este perigo escondido é relativamente simples, visto que o sinal mais óbvio é a deformação física do aparelho. Um ecrã que fica mais alto de um dos lados. Um painel traseiro que balança quando é pousado numa mesa plana ou um telemóvel que já não fecha corretamente nas bordas são autênticas bandeiras vermelhas. Especialistas em reparações alertam que um cheiro doce, metálico ou semelhante a acetona é um indício de que os gases já estão a escapar. Isto é um cenário de perigo iminente.
Consequentemente, se encontrares algo assim, não podes simplesmente deitar o equipamento no lixo doméstico normal da tua rua. Tens a obrigação de colocar o aparelho num ponto de recolha específico para lixo eletrónico, como os contentores Eletrão ou lojas de tecnologia que aceitem materiais perigosos para reciclagem segura.
Os dispositivos antigos tornam-se invisíveis nas nossas vidas assim que os atiramos para o fundo de uma gaveta e deixam de ser úteis. Ninguém pensa neles e ninguém os inspeciona até que algo corra muito mal. Portanto, tira cinco minutos do teu dia hoje mesmo para verificares os teus telemóveis, tablets e portáteis antigos. Por conseguinte, coloca os equipamentos numa superfície plana para garantires que mantêm a sua forma original e descarta-os em segurança ao mínimo sinal de inchaço.







