Como seria de esperar, os rumores à volta da futura consola portátil da Sony continuam a ganhar força, e pelos vistos há um detalhe que pode mesmo fazer toda a diferença. Ao que tudo indica, a chamada PS6 Portable poderá correr jogos da PS5 e da PS4 de forma nativa, o que muda completamente a conversa à volta do projeto.
- Nota: A consola também deverá ser capaz de correr jogos PS6, porém com algumas limitações.
Se isto for verdade, a Sony não está apenas a fazer uma “nova” consola portátil. Está a tentar construir uma ponte real entre gerações e, ao mesmo tempo, manter o ecossistema PlayStation vivo em todo o lado.
A Sony já falhou neste mercado? Sim, e mais do que uma vez.
Antes de mais nada, importa lembrar o mais importante. A Sony já teve duas consolas portáteis a sério. A PSP foi um sucesso enorme e continua a ser lembrada com carinho. Mas esse sucesso também veio acompanhado por muita pirataria, o que trouxe dores de cabeça bem sérias à marca.
Por sua vez, a PS Vita, apesar da qualidade, acabou por morrer muito cedo, por culpa da própria Sony, que nunca a apoiou como devia. Ficou até a ideia de que não existia de facto um plano para a consola. O que foi só e apenas estranho.
Ou seja, a Sony tem de facto algo a provar neste mercado.
O grande trunfo pode estar na retrocompatibilidade.
Jogar jogos PS6 em movimento? Porreiro. Mas é muito provável que precises de Internet para o conseguir fazer. Uma consola portátil não vai ser capaz de correr nativamente jogos de nova geração. Ou seja, a Sony não quer ir pelo caminho da Microsoft com as Xbox Series S e X. A PS6 Portable não vai ser uma PS6 mais fraca. Vai sim ser uma PS6 diferente, com outros objetivos.
Mais concretamente, e segundo os mais recentes rumores, a PS6 Portable vai correr jogos da PS6, PS5 e PS4. Mas os jogos PS4 e PS5 vão correr diretamente a partir do hardware da consola.
Isto é importante, porque quem comprar a consola não tem de começar uma biblioteca do zero. Pode pegar nos jogos que já tem, ou em pelo menos parte deles, e continuar a jogar em formato portátil sem grandes dramas.
É isso que pode transformar esta consola num produto realmente apetecível. Não apenas o hardware, não apenas o nome PlayStation, mas a sensação de continuidade.
Mas há aqui uma limitação óbvia.
Ao mesmo tempo, também parece quase certo que esta portátil não vai ter leitor físico. Quem tiver jogos em formato físico pode muito bem ficar de fora desta festa.
Ou seja, se a Sony não arranjar uma forma minimamente inteligente de lidar com quem tem biblioteca física, vai criar uma fricção desnecessária num produto que devia ser o mais simples possível de vender.
No fundo, a Sony quer uma portátil que seja um nível acima daquilo que a Portal fez.
O PlayStation Portal tem a sua utilidade, claro. Mas continua dependente de streaming e de uma PS5 do outro lado. Não é uma consola portátil a sério. É mais uma extensão da consola principal. Ainda assim, foi um sucesso.
A PS6 Portable, se existir como estes rumores indicam, será outra coisa. Uma máquina independente, capaz de correr jogos localmente e de funcionar como peça real do ecossistema PlayStation.
É exatamente isso que faltava à Sony para voltar a entrar neste mercado com ambição séria.
Também pode ser uma forma inteligente de preparar a próxima geração
Há aqui outro detalhe muito interessante. Esta portátil pode não servir apenas para vender hardware portátil. Pode servir também para preparar a próxima geração PlayStation de forma muito mais suave.
Ou seja, em vez de lançar apenas uma PS6 de sala e esperar que toda a gente entre logo na nova geração, a Sony pode criar duas portas de entrada. A consola principal e a portátil. Duas formas diferentes de manter jogadores dentro da mesma loja, dos mesmos serviços, da mesma biblioteca digital e do mesmo ecossistema.
É uma jogada muito mais estratégica do que parece.
No fim do dia, pode ser uma aposta incrível por parte da Sony.
Se a Sony acertar no preço, na retrocompatibilidade e no suporte à máquina, esta pode muito bem ser a primeira portátil da marca em muitos anos a fazer sentido a sério. Não apenas como curiosidade, nem como acessório, mas como peça real do ecossistema PlayStation.
E honestamente, já era tempo.









