Durante muito tempo, falar de earbuds para gaming era quase sempre uma conversa meio estranha. Serviam para música, chamadas, ginásio e pouco mais. Ou seja, a mesma coisa que já fazias com qualquer outro par de earbuds. Até porque, para jogar? A maioria da malta continuava a olhar para headsets tradicionais, muito por causa da latência, da ligação e da confiança no áudio.
Pois bem, a Razer quer mudar isso com os novos Hammerhead V3 HyperSpeed, uns earbuds pensados para jogar sem grande drama, e com um detalhe que até faz bastante sentido. A caixa serve também para guardar e carregar o dongle.
A grande novidade está na caixa. E por acaso até faz todo o sentido
Portanto, para tentar diferenciar a coisa, o detalhe mais curioso destes novos Hammerhead V3 HyperSpeed não está só nos próprios earbuds. Está mesmo na caixa de carregamento. A Razer decidiu integrar ali um dongle USB-C, o que significa duas coisas muito simples. Não o perdes tão facilmente, e tens uma solução muito mais prática para andar entre PC, portátil, consola portátil ou outro equipamento compatível.
Aliás, isto até resolve um dos maiores problemas destes produtos. Quando uma marca promete baixa latência com ligação dedicada, quase sempre acaba por obrigar o utilizador a andar com um dongle perdido numa mochila ou numa gaveta. Aqui, pelo menos, a ideia está bem pensada.
2.4 GHz para jogar, Bluetooth para o resto
A lógica da Razer continua a ser a que já conhecemos. Quando queres jogar a sério, usas a ligação HyperSpeed Wireless a 2.4 GHz, que foi pensada precisamente para reduzir a latência. Quando queres algo mais simples para o dia a dia, entra em cena o Bluetooth 6.0.
Também existe um sistema chamado SmartSwitch, que permite trocar entre os dois modos. No papel, isto faz todo o sentido, porque transforma estes earbuds num produto um pouco mais versátil. Não são só para gaming. Querem também servir para mobilidade, música e utilização casual.
ANC melhorado, mas convém ver o que isso significa!
A Razer diz que os novos Hammerhead V3 HyperSpeed chegam com Hybrid Active Noise Cancellation e com uma melhoria de 50% na redução de ruído face à geração anterior.
Mas uma coisa é a promessa no papel. Outra muito diferente é perceber se isto resulta mesmo num comboio, numa rua movimentada, ou no meio do típico caos de casa com televisão, pessoas a falar e teclados a bater o dia inteiro.
Ainda assim, é bom ver a Razer a puxar por este lado, porque se quer vender earbuds premium para jogar e para o dia a dia, não pode ignorar a importância do ANC.
THX Spatial Audio continua a ser uma das cartas da marca
No lado do PC, estes earbuds contam com THX Spatial Audio através do Razer Synapse 4. Ou seja, a marca continua a apostar forte na ideia de som posicional e palco virtual 7.1 para dar alguma vantagem em jogos competitivos.
Se isso faz milagres? Não. Mas também ninguém espera que uns earbuds substituam por completo um headset topo de gama com drivers maiores e outra presença no ouvido. Ainda assim, para quem quer algo mais discreto, mais leve e menos cansativo, pode ser um bom compromisso.
Autonomia competente
A Razer aponta para 40 horas de autonomia total. Cerca de 10 horas nos earbuds e mais 30 horas com a ajuda da caixa. Não é propriamente revolucionário, mas também não fica mal na fotografia.
Aliás, para o tipo de produto que é, chega perfeitamente. O mais importante aqui é que a marca parece finalmente estar a atacar o gaming com earbuds sem esquecer que este tipo de produto também precisa de ser cómodo no dia a dia.
No fundo, a Razer está a tentar vender conveniência sem sacrificar demasiado o gaming.
Earbuds vão ser sempre earbuds. Não há espaço, nem orçamento, para fazer algo fora de série. Por isso, os Hammerhead V3 HyperSpeed não parecem querer substituir os headsets tradicionais para toda a gente. O objetivo é outro. Dar uma alternativa mais leve, mais discreta e mais flexível a quem já está farto de ter um headset enorme na cabeça sempre que quer jogar.
E honestamente, há mercado para isto. Especialmente agora que o gaming portátil está mais forte, que muita gente joga em PC handhelds, e que a fronteira entre equipamento de gaming e áudio do dia a dia está cada vez mais confusa.









