A LG apresentou em Lisboa a sua nova gama de televisões para 2026, e a verdade é muito simples. A marca continua a jogar em vários campeonatos ao mesmo tempo. Ou seja, tem produtos que parecem quase ficção científica, tem modelos pensados para quem quer o melhor OLED possível, e tem também uma estratégia muito clara para um mercado que está cada vez mais virado para ecrãs grandes, melhor imagem e mais inteligência artificial.
No meio de tudo isto, há uma conclusão fácil de tirar. A LG não quer apenas vender televisões. A gigante quer continuar a mandar no segmento premium em Portugal.
O mercado mudou? Já não basta comprar uma TV qualquer.
Uma das partes mais interessantes desta apresentação nem foi o hardware. Foi a leitura que a LG faz do mercado.
Ou seja, a marca diz que o consumidor está cada vez mais virado para qualidade acima da quantidade, e honestamente, faz sentido. Quem compra uma televisão hoje já não quer trocar daqui a dois ou três anos. Quer comprar melhor, quer comprar maior, e quer sentir que está a levar para casa algo com mais impacto.
É um investimento que provavelmente não dura 10 anos, mas dura bem mais do que 5. Isso é importante. Porque, se a TV não aguentar, a fabricante fica em maus lençóis. Tem de existir uma relação de confiança. Aqui, normalmente, quem compra LG uma vez, vai voltar a comprar.
Dito tudo isto, com o Mundial de 2026 à porta, a verdade é que a corrida aos modelos premium, e a tamanhos à volta das 75 polegadas ou mais, pode ficar ainda mais forte. A LG sabe isso, e está claramente a preparar-se para atacar esse momento com força.
A OLED transparente continua a ser um espetáculo. Mas também continua a ser um luxo absurdo!
O produto mais chamativo do evento foi, sem grande surpresa, a LG OLED T. Transparente, wireless, visualmente impressionante, e com aquele fator “uau” que quase ninguém consegue ignorar. É daquelas TVs que fazem parar, olhar e pensar que o futuro chegou mais cedo.
O problema é o costume. O preço. Estamos a falar de uma televisão que ronda os 49.999,99 euros. Ou seja, isto não é um produto para o mercado real. É uma montra tecnológica. É uma forma de mostrar músculo. Apenas os CR7 da vida vão apostar em algo deste tipo.
A OLED W6 pode ser a TV que melhor explica o ADN da LG
Se a OLED transparente é a loucura futurista, a OLED W6 é provavelmente o exemplo mais puro daquilo que a LG quer fazer no segmento premium. É extremamente fina, anda na casa dos 9,9 mm, e foi claramente pensada para parecer quase parte da parede.
Este tipo de produto faz muito mais sentido. Continua a ser caro, claro, com um preço recomendado de 4 999,99 euros na versão de 77 polegadas, mas aqui já estamos a falar de uma televisão premium a sério. Uma TV que junta design, imagem, processamento com IA e aquele look minimalista que muita gente procura quando quer montar uma sala mais limpa e moderna.
No fundo, esta é daquelas TVs que mostram bem como a LG já não vende apenas imagem. Vende também objeto, presença e integração.
A Micro RGB evo pode ser a novidade mais importante de todas
No meio de tanta conversa à volta de OLED, há aqui uma aposta muito curiosa que pode passar mais despercebida do que devia. A LG Micro RGB evo.
A LG quer posicioná-la como uma nova era para as LCD premium, combinando retroiluminação RGB individual com um controlo de luz muito mais refinado. Traduzindo isto para português simples, a marca quer ir buscar parte do encanto visual do OLED sem abandonar a lógica LCD, mas elevando brutalmente a precisão de cor e o controlo de imagem.
E honestamente, isto pode ser muito mais importante do que parece. Porque o futuro das TVs premium não vai viver só de OLED. Vai viver também desta guerra cada vez mais séria entre OLED, mini LED e tudo o que anda à volta do RGB de nova geração.
A versão de 100 polegadas chamou muita atenção, claro, mas a de 65 polegadas a 1 799,99 euros é provavelmente a que faz mais sentido para o mercado real.
OLED 2026: a LG continua a afinar aquilo que já fazia bem

No lado OLED, a mensagem da LG é clara. Continuar a mandar. A nova gama chega com o processador α11 Gen3 AI, mais brilho, melhor processamento de imagem e som, e uma aposta cada vez maior na ideia de que a televisão deve adaptar-se ao conteúdo e ao utilizador em tempo real.
Isto tudo soa muito bonito, claro. E parte disto é marketing, como sempre. Mas também há uma verdade importante aqui. A LG continua a ser uma das poucas marcas que já percebeu que, nesta fase do mercado, não basta ter um painel bom. É preciso afinar tudo o resto.
Processamento, gaming, reflexão, experiência de utilização, ecossistema, design, tudo conta. E a LG continua muito forte precisamente nesse pacote completo.
Os preços mostram bem onde está o foco. A OLED G6 em 77 polegadas aparece nos 3 999,99 euros, a versão de 65 polegadas nos 3 199,99 euros, a OLED C6 de 65 polegadas nos 2 499,99 euros, e a OLED B6 de 55 polegadas nos 1 399,99 euros. Nada aqui é propriamente barato. Mas também não é esse o campeonato.
QNED também cresce, e não é por acaso
No lado QNED, a conversa passa muito pelas grandes dimensões. A LG sabe que há cada vez mais consumidores a olhar para TVs de 75 polegadas para cima, e por isso a gama QNED evo Mini LED continua a crescer em ambição.
Mais brilho, melhor controlo local de iluminação, mais cor, mais upscaling, mais foco em gaming. É a fórmula que já conhecemos, mas está a evoluir num momento em que muita gente quer ecrãs enormes sem pagar o salto brutal para um OLED gigante.
E aqui a LG também quer estar muito bem posicionada. Aliás, a marca diz que lidera o mercado português de TVs há nove anos consecutivos, e também está no topo nos ecrãs de grandes dimensões e nos modelos acima dos 1 000 euros. Isso ajuda a explicar porque é que continua tão confortável a puxar pelo lado premium.
No fim do dia, a LG continua a fazer aquilo que sabe melhor
A LG mostrou em Lisboa uma gama de TVs para 2026 que mistura espetáculo, ambição e muita lógica comercial. Tem produtos de demonstração que servem para impressionar, tem OLEDs premium que continuam a ser uma referência, e tem novas apostas que mostram bem onde a guerra das televisões vai apertar nos próximos anos.
Mas há uma verdade que continua a dominar tudo. O mercado está mais caro, mais exigente e mais competitivo. E por isso mesmo, a liderança da LG não pode viver só da fama dos anos anteriores. Tem de continuar a justificar-se modelo a modelo.
Só há um pequeno problema. Querer uma destas TVs é fácil. Pagá-la já é outra conversa.












