EMEL quer acabar com os parquímetros em Lisboa. Mas vais obviamente continuar a pagar!
A EMEL está a preparar uma mudança que pode parecer lógica no papel, mas que promete fazer barulho na rua, especialmente junto dos mais velhos, ou de quem é mais averso a fazer tudo no smartphone.
Sim, no final do dia a ideia até é simples. Acabar, aos poucos, com os parquímetros físicos em Lisboa e empurrar o pagamento do estacionamento para a aplicação móvel. Sim, a EMEL quer levar o estacionamento apenas e só para o telemóvel.
Mas o problema aqui é óbvio… O teu pai ou avô consegue pagar o parquímetro no telemóvel? Pois, o meu também não.
A mudança já começou. Curiosamente, quase ninguém reparou!
Ao que tudo indica, a transição já está em andamento desde 2024.
Ou seja, já foram retirados mais de 200 parquímetros em vários pontos da cidade, e isto parece ser apenas o início de uma estratégia muito mais ambiciosa.
Uma ideia que até é interessante, porque baixa custos com a manutenção do material e com a entrega de moedas ao banco. Ao mesmo tempo, empurra as pessoas para a app. No fim do dia, a EMEL quer poupar dinheiro. E isso percebe-se.
Mas… Há outro problema. A app é muito má.
A EMEL não é genial a desenvolver aplicações. Basta olhar para a Gira, e de facto, também para o e-Park. É tudo muito mau.
Aliás, eu passo a minha vida a fugir do e-Park, porque a aplicação nunca se lembra dos meus dados de login, e de facto, eu também nunca me lembro. Por isso, prefiro pagar com a Via Verde Estacionar.
A questão aqui é simples… Se eu, que me dou bem com tecnologia, tenho dificuldades a usar a app da EMEL, imagina uma pessoa com menos facilidade, ou menos paciência.
Lisboa está cada vez mais digital. Mas também cada vez menos simples, e isso é um problema muito grave.
Porque uma coisa é modernizar. Outra muito diferente é complicar tarefas que já eram simples. Pagar estacionamento numa cidade como Lisboa já é chato por si só. Se agora também passar a ser uma luta com apps mal feitas, passwords esquecidas e telemóveis sem bateria, a coisa só fica pior.
No papel parece evolução. Na rua, pode vir a ser só mais uma dor de cabeça.






