Michael Pachter nunca foi conhecido por ter papas na língua. E claro, desta vez não foi diferente. O analista da Wedbush Securities acredita que a próxima consola Xbox pode já estar “morta”, o que claro está, se deve à aposta total da Microsoft no Game Pass.
Sim, estamos a falar do mesmo Pachter que durante anos defendeu o modelo. É a prova viva que uma boa ideia pode ser levada ao exagero.
“A consola está morta” por causa do Game Pass?
Numa conversa recente após mudanças internas na liderança da Microsoft, Pachter foi direto ao ponto que realmente interessa. Ou seja, ao abraçar completamente o Game Pass, especialmente na versão Ultimate a um preço considerado absurdo por muitos, a Microsoft pode ter destruído o valor da própria consola.
Afinal, se o foco está no serviço, na cloud e no acesso multiplataforma, então qual é o verdadeiro incentivo para comprar hardware Xbox?
Pois, os números de vendas de consolas dos últimos anos não ajudam a narrativa.
Mas ele não era defensor do Game Pass?
Era. E dos mais entusiastas. Em 2022 chegou a prever que o Game Pass poderia atingir 100 milhões de subscritores ativos com a entrada dos jogos da Activision Blizzard. Em 2024 voltou a reforçar a aposta, falando em 200 milhões no espaço de 10 anos.
Agora, mudou de tom.
O grande erro foi transformar o Game Pass num modelo “tudo ou nada”. Para ele, o preço devia rondar os 10 euros com acesso amplo, algo mais próximo de um buffet acessível do que de um pacote premium que custa 400 euros por ano.
O argumento é provocador mas tem lógica. Se um jogo novo custa 70 ou 80€, como convencer o consumidor a pagar 400 por ano de forma contínua?
Microsoft tentou ter tudo?
Há aqui um dilema. Ao apostar forte no Game Pass e numa estratégia cada vez mais multiplataforma, a Microsoft reduziu o valor exclusivo da consola Xbox. Já não é preciso ter uma Xbox para jogar muitos dos seus jogos.
Mas ao subir o preço do serviço, também arrisca afastar utilizadores que viam no Game Pass uma proposta de valor agressiva.
Ou seja, pode ter enfraquecido o hardware e pressionado o serviço ao mesmo tempo.
E agora?
Há rumores de que a Microsoft poderá adicionar mais serviços, parcerias ou benefícios ao Game Pass Ultimate para justificar a mensalidade. Mas a questão que fica no ar é outra. Será que a estratégia de transformar a Xbox num ecossistema baseado em subscrição acabou por tirar relevância à própria consola?
Ou seja, se o futuro é cloud, PC e serviços, talvez a próxima Xbox física já não seja o centro da equação.








