A realidade é esta e já não impressiona ninguém. O mercado automóvel Europeu está a levar com marcas Chinesas de todos os lados, onde Portugal não é exceção, e de facto, algumas delas já não chegam cá apenas com preço agressivo e equipamento em excesso. Chegam com ambição e até alguma identidade própria.
É por aqui que entra o Voyah Courage.
Como é óbvio, esta marca pode ainda não dizer muito à maioria dos condutores Portugueses, mas convém começar a prestar atenção. A Voyah é a aposta premium da Dongfeng, um dos gigantes da indústria automóvel Chinesa, e este Courage é a tentativa mais séria de entrar num segmento onde ninguém perdoa erros.
O dos SUVs elétricos familiares. Aqui já se nota bastante luxo, apesar de muito foco em “chinesices”. Mas, atenção. Uma “chinesice” não é algo negativo. É apenas um detalhe que pode fazer sentido no mercado chinês, e por cá nem por isso. O ecrã deslizante é um perfeito exemplo disso mesmo. Giro, mas inútil.
O nome é estranho. Mas o carro até que não está nada mal!
A Voyah tem uma daquelas estratégias que parecem saídas de uma reunião demasiado longa, onde já ninguém tinha muita paciência. Por isso, todos os modelos têm nomes como Free, Dream, Courage e Passion. É tudo muito poético e fora da caixa. É tudo muito Chinês. Mas, deixando isso de lado, a verdade é que o Courage até faz boa primeira impressão.
Afinal de contas, o design é limpo, moderno, sólido e sem grandes exageros. Não anda a tentar parecer uma nave espacial, nem um SUV agressivo à força. Aliás, é um automóvel que facilmente salta à vista das pessoas na rua. Sendo exatamente por isso uma aposta muito interessante da marca no nosso mercado.
Além de tudo isto, parece ser um carro pensado para agradar ao gosto Europeu, com uma frente fechada, assinatura LED agressiva, linhas limpas e uma postura que transmite alguma maturidade.
É um SUV que quer parecer premium, e na verdade até consegue.
Lá dentro há espaço, conforto e alguns truques engraçados!


O interior segue a mesma lógica. Existem algumas maluqueiras nos detalhes. Mas, acima de tudo isto, temos materiais suaves, bom ambiente, construção aparentemente cuidada e um tablier com aquele ar minimalista que os elétricos gostam tanto de mostrar.
Mas depois começam a aparecer os detalhes que tornam o carro mais interessante.
O ecrã central pode deslizar para o lado do passageiro com um gesto. Sim, é um gimmick. Não muda a vida de ninguém. Porém e contudo, é daquelas coisas que fazem falar. Um bocadinho como os ecrãs giratórios da BYD, que entretanto também já começaram a desaparecer, porque ninguém os usava.
Também há um pequeno ecrã atrás do volante, discreto mas competente, e bancos com massagem que, ao que tudo indica, funcionam mesmo muito bem. Talvez até bem demais, porque fica a dúvida sobre o que vai acontecer ao revestimento ao fim de alguns anos se aquela pressão continuar assim tão forte.
Há ainda perfume integrado no carro. Sim, perfume. Bamboo, peónia ou água fresca. Isto já entra naquele território onde os Chineses claramente decidiram meter tudo o que conseguiram imaginar numa folha de especificações.
E depois há outro detalhe curioso, e até mais útil do que parece. A pala de sol tem uma parte inferior em vidro escurecido. Pode parecer uma invenção estranha, mas faz bastante sentido. Aliás, é daquelas ideias que outros fabricantes até podiam copiar sem vergonha nenhuma.
É grande, confortável e pensado para a família!
Uma coisa é certa. Espaço não falta.
Há muito lugar à frente, há muito espaço atrás, e a bagageira também cumpre bem o papel. Não há frunk, o que começa a ser estranho num elétrico com estas ambições, mas tirando isso, o Courage parece claramente pensado para servir uma família sem grandes compromissos.
Na estrada cumpre. Mas não entusiasma, como é muito normal no mundo dos elétricos, e ainda mais normal no lado Chinês da coisa.
É um elétrico pesado, mas até bastante apontado, que demora um bocadinho a responder quando carregas no acelerador.
Ou seja, não é nada de dramático, mas há uma pequena hesitação, de quase meio segundo, que tira algum brilho ao conjunto. E isto num elétrico nota-se mais, porque estamos habituados à resposta imediata.
De resto, o chassis porta-se bem. Não faz nada de estranho, transmite confiança e está claramente afinado para conforto. Ninguém vai comprar isto para atacar curvas, até porque não faria muito sentido. Mas, para o tipo de condutor que quer apenas um SUV familiar sólido e previsível, chega perfeitamente.
Tem muita tecnologia, mas nem tudo está no ponto!
Como seria de esperar, o equipamento é forte. Cruise control adaptativo, assistentes de faixa, vários sistemas de segurança, conectividade, muita coisa digital, muita coisa a apitar, e muita coisa a querer participar na condução.
O problema é que nem sempre participa bem.
Fica a ideia de que precisa de um polimento sério. Isto acontece muito provavelmente porque o Courage é um carro de 2024, e apesar de serem “apenas” 2 anos, a realidade é que o mundo automóvel chinês mexe muito num curto espaço de tempo.
Além disso, nota-se que há aqui software com margem para crescer, porque o hardware está lá, o equipamento também, mas falta aquela afinação final que separa um carro interessante de um carro realmente redondo.
No final do dia, o Voyah Courage é melhor do que eu estava à espera
O Courage não é perfeito. Ainda há detalhes por afinar, há decisões de software difíceis de perceber, e alguns pormenores que mostram que a marca ainda está a encontrar o seu caminho.
Mas também há muita coisa boa aqui. Espaço, conforto, presença, construção sólida, equipamento generoso e alguns detalhes diferentes do habitual.
Não é apenas mais um elétrico Chinês com uma ficha técnica engraçada. É já um produto que começa a parecer pensado a sério para o mercado Europeu.
Além disso, é um carro diferentão, e que vai com toda a certeza chamar a atenção.











