O objetivo principal de uma pastilha de travão é roçar de forma agressiva contra o disco e gerar atrito. Efetivamente, quando instalas um conjunto novo na oficina, a face da pastilha e o metal do disco funcionam como duas superfícies totalmente virgens e estranhas entre si. Por isso, para as habituar a trabalharem em conjunto, precisas de realizar um procedimento essencial conhecido na mecânica como rodagem ou acamamento. De facto, esta é uma adaptação técnica e rápida que deposita uma película muito fina e uniforme de material da pastilha na superfície do disco metálico. Isto garante a potência máxima de travagem e um desgaste perfeitamente homogéneo a longo prazo. Assim tem mesmo atenção se trocaste os travões do teu carro.
Trocaste os travões do teu carro: não saltes esta etapa
Os especialistas em mecânica automóvel concordam que ignorar este processo resulta em problemas bastante desagradáveis e caros. Neste sentido, a anomalia mais comum e sentida pelos condutores é a trepidação dos travões, transmitida através de uma vibração pulsante no volante ou no próprio pedal ao abrandar a marcha. Como resultado, saltar o acamamento térmico faz com que o material aderente se espalhe de forma totalmente irregular pelos discos, deixando perigosos altos e baixos microscópicos.

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Existe o terrível e frequente risco de vidragem das peças. As pastilhas saídas da caixa contêm uma resina fenólica que une as suas fibras interiores e necessita de um ciclo térmico muito específico para curar por completo. Se forçares o teu carro demasiado cedo com travagens longas e brutais, estas resinas fervem rapidamente e criam um acabamento espelhado e endurecido que não oferece absolutamente nenhum atrito contra a roda. Além disso, o pior cenário possível originado por tudo isto é a perda súbita de capacidade de travagem. Os gases libertados por estas resinas não curadas criam uma barreira física invisível. O pedal afunda perigosamente e o carro simplesmente não para a tempo.
O cenário real e o desgaste invisível
Entretanto a grande maioria dos condutores desconhece totalmente este processo de rodagem térmica e entrega o carro imediatamente a uma condução agressiva. Desta forma, a verdade é que as peças acabam quase sempre por se adaptar de forma orgânica durante as primeiras centenas de quilómetros de condução urbana suave. Paralelamente, a grande desvantagem é que esta adaptação natural ocorre de forma incrivelmente lenta, desgastando o ferro metálico de forma inútil. Demora entre cento e cinquenta a seiscentos quilómetros até a transferência correta de material ficar estabilizada.
Ainda neste seguimento, se ignorares tudo e começares a exigir o máximo do sistema imediatamente após saíres do teu mecânico, vais depender exclusivamente do atrito abrasivo bruto. Neste contexto, os teus novos componentes raspam diretamente no ferro nu, gerando um calor extremo que amolece a estrutura do disco e destrói as pastilhas precocemente. Acabas por perder a poderosa força de aderência entre os materiais compósitos, sacrificando imensas distâncias de segurança no processo.

A técnica infalível para a rodagem perfeita
O verdadeiro propósito desta rodagem planeada é obteres o rendimento máximo de fábrica. Também a maior quilometragem possível das peças pelas quais pagaste o teu dinheiro. Em suma, o método mais fiável demora cerca de trinta minutos e exige apenas a escolha de uma estrada reta, segura e sem trânsito. Portanto, acelera o teu veículo até aos sessenta quilómetros por hora e trava firmemente até aos quinze, mas nunca pares o carro por completo. Volta a acelerar suavemente e repete este abrandamento brusco cinco ou seis vezes consecutivas para gerares calor estrutural no sistema.
Entretanto o passo seguinte exige que subas a agressividade e a velocidade para perto dos noventa quilómetros por hora. Isto travando de forma muito mais pesada e decidida até aos vinte quilómetros por hora, repetindo o processo pelo menos três ou quatro vezes. Podes até sentir um ligeiro cheiro a resina queimada no ar, mas esse é o sinal exato de que o processo está a funcionar na perfeição.
A regra de ouro final e inquebrável é nunca estacionares o carro de imediato. Conduz a uma velocidade moderada e ininterrupta durante quinze minutos cruciais para arrefeceres o sistema apenas com a força do ar, tentando ao máximo não tocar no pedal do travão em momento algum. Estacionar o carro e apertar as pastilhas a ferver contra os discos vai arruinar totalmente o teu brilhante trabalho e empenar o metal! Assim tem mesmo atenção a isto se trocaste os travões do teu carro.





