Os humanos têm uma capacidade de corrida que nenhum animal tem

Os humanos não são os animais mais rápidos do planeta. No entanto temos uma capacidade de corrida significativa, mas que pode ser facilmente ultrapassada por muitas espécies de quatro patas. No entanto, temos uma característica que nos torna únicos: – a resistência.

Os seres humanos são, na verdade, corredores fantásticos e conseguem atingir longas distâncias, mesmo quando comparados com outros animais que têm maior velocidade bruta. Mas porque é que isto acontece? Um novo estudo realizado por investigadores da Universidade da Califórnia, San Diego, tentou responder a esta questão. As descobertas foram publicadas na revista Proceedings of the Royal Society B.

Os cientistas concentraram-se num gene específico – ou melhor, na ausência dele – para explicar as impressionantes capacidades de corrida de longa distância dos humanos. Acredita-se que uma mutação que fez com que o gene chamado CMAH se perdesse nos primeiros ancestrais humanos aconteceu mais ou menos na mesma época em que esses primeiros grupos começaram a evoluir para especialistas em maratonas.

As mudanças, incluindo pernas e pés, que são ótimas para manter a velocidade, bem como o aumento das glândulas sudoríparas que mantêm o calor humano controlado durante mais tempo, parecem estar ligadas à mutação que eliminou o gene CMAH. Por mais convincente que fosse esta evidência, os investigadores necessitavam de alguma forma de testar essa teoria. Assim criaram ratinhos que também não tinham o gene e iniciaram os testes.

“Avaliámos a capacidade de exercício (de ratos sem o gene CMAH) e notámos um aumento no desempenho durante os testes na passadeira e após 15 dias de corrida voluntária”, afirmou Jon Okerblom, principal autor da investigação, num comunicado. As mudanças que os corpos dos animais sofreram quando cresceram sem o gene CMAH parecem ter-lhes dado um maior desempenho atlético, e isto é um grande sinal de que os investigadores já estão no caminho certo.

No entanto, a perda do gene CMAH não foi benéfica de forma universal para os seres humanos. Os cientistas suspeitam que a mutação que eliminou o gene, de uma forma indireta, tornou os seres humanos mais propensos a desenvolverem diabetes tipo 2, e até aumentou o nosso risco de cancro por comermos carne vermelha.

“Na prática são uma faca de dois gumes”, explica Ajit Varki, autor sénior do estudo. “A consequência de um único gene perdido é uma pequena mudança molecular que parece ter alterado profundamente a biologia humana e as habilidades que remontam às nossas origens.”

Assim, podemos correr mais e por mais tempo, mas a carne vermelha pode-nos matar. É estranho não é?

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Bruno Fonseca
Fundador da Leak, estreou-se no online em 1999 quando criou a CDRW.co.pt. Deu os primeiros passos no mundo da tecnologia com o Spectrum 48K e nunca mais largou os computadores. É viciado em telemóveis, tablets e gadgets.

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