A Microsoft passou os últimos tempos a empurrar inteligência artificial para todo o lado no Windows 11. Todas as aplicações do sistema operativo têm uma qualquer funcionalidade baseada em IA, onde, claro está, vais encontrar o selo Copilot em cima.
O problema é que os utilizadores não reagiram com grande entusiasmo. Por isso, a Microsoft viu-se obrigada a meter o pé no travão. Aliás, a gigante norte-americana até se viu obrigada a meter a marcha-atrás.
Copilot tem os dias contados? Não, ele vai continuar. Mas a estratégia mudou. O que é muito interessante nos tempos que correm.
Algumas das mais recentes versões de vários programas do Windows começaram a perder a marca Copilot. Mas as funcionalidades continuam presentes. O nome é que parece ter perdido força.
No caso do Notepad, por exemplo, ferramentas como resumo e reescrita passam agora a aparecer debaixo de um nome muito mais neutro. “Writing tools”. Que, traduzindo para português simples, é a forma mais elegante de dizer a mesma coisa sem irritar tanto quem está do outro lado do ecrã.
Ou seja, a Microsoft não matou o Copilot. Apenas percebeu que já não fazia grande sentido meter a marca à frente de tudo e mais alguma coisa.
Novidade? Ninguém gosta, nem quer, IA enfiada pela garganta abaixo.
O problema nunca foi só a inteligência artificial existir no Windows. A IA está em todo o lado nos dias que correm, e apesar de ainda existirem muitos utilizadores que não fazem a mínima ideia do que fazer com ela, também há muito boa gente que usa funcionalidades destas a toda a hora.
O problema aqui foi a forma como a Microsoft decidiu empurrá-la para cima dos utilizadores, como se toda a gente estivesse desesperada por resumir texto no Bloco de Notas ou por ver botões extra em aplicações que antes eram simples.
A Microsoft estava demasiado preocupada em apanhar o comboio da IA, o que acabou por arruinar parte do seu próprio esforço. Porque uma coisa é adicionar funcionalidades úteis. Outra muito diferente é transformar ferramentas simples em montras para mostrar que a empresa também tem IA.
O recuo é… pequeno?
A Microsoft não está a desistir da IA. Os executivos da gigante ainda olham para isto como a galinha dos ovos de ouro, ou melhor, como aquilo que vai servir para apagar muitos dos erros cometidos ao longo da última década.
Agora está um pouco mais suave. A empresa percebeu que começa a existir um ódio generalizado, e também já percebeu que começam a aparecer ameaças ao Windows a partir de vários lados. Ora, basta olhar para o MacBook Neo, que está a roubar alguma quota de mercado na gama de preços onde o W11 reinava, e basta também olhar para alguns movimentos europeus, como é o caso de França, onde o Windows está a ser removido em parte do Estado para dar lugar ao Linux.
Ou seja, a Microsoft continua a apostar forte na IA, mas já percebeu que não pode empurrar tudo à força. Tem de ter calma, e talvez mais importante que isso, tem de se forcar naquilo que realmente interessa… Antes que seja tarde de mais.
Esperam-se tempos complicados para a Microsoft.









