Durante muito tempo, a linha Surface da Microsoft viveu numa zona engraçada (e estranha) do mercado. Cara, sim, mas com algum argumento de design, formato e integração com o ecossistema Windows.
Os portáteis Surface eram os MacBook do lado Windows da coisa, tal e qual como o Pixel é também o iPhone do lado Android. O problema é que, quando os preços sobem de forma agressiva num mercado já completamente absurdo, essa conversa começa a perder força e a irritar os consumidores.
E foi exatamente isso que aconteceu agora. A Microsoft decidiu mexer nos preços dos Surface para cima, e com isso está a dar à Apple uma prenda que não precisava de embrulho. O MacBook fica imediatamente mais fácil de recomendar.
O Surface ficou mais caro.
A Microsoft decidiu aumentar o preço de todos os seus portáteis, e como tal, ficou tudo mais caro do que o MacBook equivalente. Ou seja, a comparação que antigamente era desconfortável para a Apple é agora desconfortável para o lado Windows da coisa.
Uma questão muito interessante, porque com o sucesso do Neo nunca se falou tanto em abandonar o ecossistema Windows para adotar o macOS. Ou seja, a Microsoft conseguiu fazer uma coisa impressionante. Tornou o MacBook mais fácil de justificar sem a Apple mexer um dedo.
O problema da Microsoft é que o Windows já não ajuda
Uma coisa é pedir muito dinheiro por um portátil quando o software ajuda a justificar a experiência. Outra muito diferente é pedir ainda mais dinheiro num ecossistema onde o Windows 11 continua a ser visto por muita gente como uma dor de cabeça mal resolvida.
Portanto, se o hardware sobe de preço e o sistema operativo não entusiasma, a marca fica numa posição muito complicada.
O MacBook Air ficou numa posição ainda mais confortável
É aqui que a Apple volta a mostrar porque continua a jogar muito bem neste mercado. Basta manter os preços. Nem precisa de baixar. Nem precisa de fazer promoções malucas. Basta ficar quieta e esperar.
Ou seja, com o MacBook Air de 13 polegadas a começar entre os 900€ e 1000€, a Apple continua a parecer mais racional do que muita da concorrência direta. Especialmente quando os novos Surface de 15 polegadas já ultrapassam os 1.599 euros.








