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Fase Bonus – The Game: uma decepção que prometia muito

André Leão

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The Mojon Twins são por demais conhecidos no universo do Spectrum, não só pelos inúmeros jogos com que já nos presentearam, alguns de elevada qualidade, mas também por serem os criadores do motor La Churrera, que posteriormente sofreu uma evolução e passou a ser chamado MK2. Esta aplicação, apesar de facilitar a vida a quem não percebendo muito de programação quer entrar no mundo dos videojogos, sofre de algumas vicissitudes, que na nossa opinião retira alguma jogabilidade aos programas. E isso nota-se com maior ênfase em jogos nos quais a precisão e o timing de salto são condições fundamentais para se ser bem-sucedido, como é o caso deste Fase Bonus.

Por outro lado, Fase Bonus repete a fórmula de muitos dos jogos criados pelos The Mojon Twins, e a sensação de Déjà vu é por demais evidente, ainda mais quando estes já têm uma carteira com mais de setenta jogos para diversas plataformas. E a história de Fase Bonus até era prometedora…

Reza então esta que as fitas do programa número 200 de Phase Bonus, um podcast ligado à cena retro (será um dos podcasts do El Mundo del Spectrum?) perderam-se na cidade. Como já devem calcular, devemos agora recuperar as cassetes, entrando na pele na pele de Ignacio, o sexy apresentador do programa. Após recuperar cada uma das fitas, teremos que devolvê-las ao nosso amigo Albert, para que este as possa editar e lançar o programa. Mas o caminho é tortuoso e vamos encontrar perigosos robôs e outros inimigos, que no entanto poderão ser eliminados com o nosso chicote, à la Indiana Jones.

No entanto, se a história até é engraçada, as boas sensações desvanecem-se no momento em que iniciamos o jogo. Começa então um pequeno diálogo entre Ignacio e Alberto, com alguns palavrões pelo meio. Sendo este um programa para todas as idades, escapa-nos o sentido se apresentar uma linguagem pouca adequada e sem qualquer ponta de humor.

Outro dos grandes problemas de Fase Bonus, e conforme referimos logo na introdução, está relacionado com o próprio controlo de Ignacio, demasiado sensível e com os saltos característicos (completamente irreais), típico dos jogos criados através do MK2. Demasiado difícil de controlar o personagem, existem muitos pontos onde é exigida uma precisão ao pixel, e não raras vezes andamos a dançar de um lado para o outro, sem conseguirmos aterrar no ponto que queremos.

Além disso é demasiado repetitivo, pois de cada vez que encontramos um cassete, temos que percorrer todo o caminho de volta para a entregar a Alberto, e depois voltar a fazer o mesmo caminho para procurar por novas cassetes. E para completar o ramalhete, por vezes entramos em novos ecrãs e somos de imediato abalroados por um dos robôs inimigos, sem sequer termos tempo de reagir. Não se entende como após trinta e cinco anos a serem criados jogos para o Spectrum, ainda se cai em erros básicos como este.

E é uma pena que estes problemas afetem tão fortemente a jogabilidade de Fase Bonus. É que o cenários são muito atrativos, muito coloridos, e embora tendo sprites pequenos, estes estão muito bem desenhados. Poderemos mesmo dizer que os gráficos, da autoria de Anjuel, mereciam um jogo melhor implementado.

De qualquer forma, Fase Bonus é gratuito (poderá aqui ser descarregado), pelo que poderão experimentá-lo e retirar as vossas próprias conclusões.

Tive o meu primeiro computador em 1985, um TC 2048, que me iniciou na informática. Apesar de no final dos anos 80 ter definitivamente passado para os 16 bits, o bichinho do Spectrum e clones sempre ficou, até aos dias de hoje. Atualmente coleciono tudo o que tenha a ver com o Spectrum e vou estando a par das novidades deste mercado, sendo fundador do blogue Planeta Sinclair.

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