Aumentar o preço dos jogos pode ser um tiro no pé!

Quando a PS5 e Xbox Series S/X chegaram às prateleiras, os jogos encareceram cerca de 10~20€. Alguns anos depois, o mesmo aconteceu no lado da Nintendo com a chegada da Switch 2. Pois bem, a indústria está tão pesada, e a precisar de tanto dinheiro, que isso já não é o suficiente.

É preciso aumentar ainda mais, e com GTA 6 a prometer preços à volta dos 99€ para a versão mais básica, todos os estúdios e distribuidoras estão a planear aproveitar esse fenómeno para também aumentar os seus números.

Mas… mas nem toda a gente acredita que o caminho seja sempre a subir. Bruce Nesmith, um dos designers por trás de Skyrim e Fallout 4, deixou um aviso claro às editoras! Valores ainda mais altos pode ter o efeito contrário ao desejado.

Aumentar o preço dos jogos pode ser um tiro no pé!

Sim, foram cerca de 15 anos sem qualquer ajuste real, apesar da inflação e do aumento brutal dos custos de produção. Mas, tentar fazer tudo de uma só vez tem tudo para correr mal. A economia está num estado lastimável, e como tal, há coisas bem mais importantes que jogar consola ou PC.

Ou seja, o problema começa quando se tenta empurrar os jogadores para preços que já entram no território psicológico do “isto é caro demais”.

O choque do preço acontece antes do jogo começar

Há uma ideia antiga de que os jogadores avaliam os jogos com base numa espécie de conta mental entre euros gastos e horas jogadas. Para Bruce Nesmith, isso é largamente um mito. A maioria das pessoas não faz esse cálculo de forma racional quando o preço ultrapassa um certo limite.

O que acontece é bastante mais simples. Olhas para o valor, levas um choque imediato e decides ali mesmo que não vale a pena. Todos nós já estivemos nesse barco. Queres muito um produto, mas começas a fazer contas, e percebes que não faz sentido. Que não vais tirar proveito tendo em conta o preço a pagar. É um impacto direto, quase visceral.

Pois… Isso é perigoso num mercado onde a perceção de valor se espalha rapidamente nas redes sociais, fóruns e vídeos de opinião.

Os jogadores são um público estranho mas muito atento

Nesmith descreve os gamers como uma “raça especial”. Por um lado, são capazes de gastar centenas ou milhares de euros no seu hobby. Por outro, são extremamente rápidos a rotular um jogo como um roubo se sentirem que o preço não bate certo com o que recebem.

É um equilíbrio delicado. O mesmo público que compra edições de colecionador, DLCs e microtransações também é o primeiro a incendiar a internet quando acha que uma editora está a esticar demasiado a corda.

É por isso que, na opinião do designer, os estúdios fariam bem em não testar demasiado os limites, especialmente numa altura em que se fala em jogos a 90 ou até 100 euros. O risco de criar uma narrativa negativa é real e difícil de reverter.

O exemplo incómodo dos jogos mais baratos

Curiosamente, enquanto a indústria discute se os 80 ou 90 euros são um teto ou apenas um degrau intermédio, há exemplos recentes que baralham completamente a narrativa.

Jogos como Clair Obscur: Expedition 33, Arc Raiders ou Helldivers 2, lançados a rondar os 40 euros, provaram que preços mais baixos não impedem sucesso massivo, impacto cultural e receitas gigantescas. Em alguns casos, venderam mais do que muitos títulos a preço premium alguma vez conseguiram.

Talvez o problema não esteja (só) no preço dos jogos por si só, mas sim nos custos no lado do desenvolvimento que andam… Um autêntico absurdo.

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Nuno Miguel Oliveira
Nuno Miguel Oliveirahttps://www.facebook.com/theGeekDomz/
Desde muito novo que me interessei por computadores e tecnologia no geral, fui sempre aquele membro da família que servia como técnico ou reparador de tudo e alguma coisa (de borla). Agora tenho acesso a tudo o que é novo e incrível neste mundo 'tech'. Valeu a pena!

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