Volta em Portugal – Isto tinha algum potencial para ser uma coisa positiva, mas… A implementação não foi a melhor. De facto, há decisões que, vistas de perto, revelam um problema crónico. Foram pensadas num gabinete, a quilómetros de distância da realidade das pessoas. Ou seja, do nosso dia-a-dia.
Infelizmente, não há milagres quando a teoria ignora a prática.
Ou seja, se porventura for a pé ao comércio de proximidade, aqui ao lado. É perto, é prático, apoia a economia do bairro e não obriga ninguém a gastar mais recursos do que o necessário. Mas depois, quando chega a hora de devolver a garrafa e cumprir o ciclo da reciclagem, a proximidade deixa de contar.
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Parece estranho, mas o comércio local já não serve. A solução? Obriga-me a pegar no carro e ir ao hipermercado.
Volta: Menos poluição ou mais quilómetros e mais dinheiro gasto?

Caso não saibas, cada vez que compras uma garrafa ou lata com o símbolo “Volta”, pagas mais 10 cêntimos por depósito. Isto significa que é dinheiro que “Volta” para ti. Mas, a realidade é que já pagas esses 10 cêntimos a mais em várias garrafas que ainda nem sequer são compatíveis com o sistema.
Porque ainda há stock antigo nas mais variadas lojas. Mas… É o que é. Portugal a ser Portugal.
O problema mais a sério nem é este. É mesmo o facto de a lógica bater na parede desde a base. Ou seja, uma medida que é apresentada como sendo um incentivo ao cuidado pelo ambiente e à eficiência, acaba por criar o oposto do seu objetivo.
Afinal de contas, para “salvar o planeta”, o sistema obriga-me a poluir mais, a perder tempo da minha vida dentro do carro, no trânsito e a gastar combustível que está tudo menos barato nos dias que correm. Isto significa:
- Mais fricção: O processo torna-se um fardo em vez de um hábito natural. (O que por sua vez faz com que muita gente desista dos 10 cêntimos.)
- Mais custos: Tempo é dinheiro, e combustível também.
- Mais dependência: Favorecem-se os grandes operadores em detrimento do pequeno lojista. (Porque os centros de recuperação de garrafas estão todos centrados em grandes operadores.)
O problema está… Na base!
Quando um sistema precisa de complicar a vida do utilizador para cumprir uma regra, o problema não está no cidadão. Está em quem desenhou a regra sem sair da cadeira. Sem ter na sua cabeça o dia-a-dia das pessoas reais.
Ou seja, soluções sérias têm de ser práticas e alinhadas com o comportamento real das pessoas. Dito tudo isto, este sistema já existe em outras regiões com muito sucesso, como é o exemplo do Pfand na Alemanha.
Mas, no terreno, o que funciona é simples: menos barreiras e mais coerência.
A minha visão? A pergunta é se o sistema funciona para quem está na rua. E, sobretudo, quem é que realmente beneficia com este sistema que nos empurra para as grandes superfícies. Menos conversa fiada e mais soluções que façam sentido, é o que se pede.




