Podes não ter ainda percebido, mas o MacBook Neo é, em muitos aspetos, um “Frankenstein” tecnológico. Porém, funciona na perfeição. Em vez de usar os caríssimos processadores de última geração da série M, a Apple foi buscar o chip A18 do iPhone para dar vida a este portátil. Curiosamente, tratam-se de chips que já existiam e que apenas não tinham qualidade suficiente para equipar um iPhone. Eram literalmente chips que iam para o lixo. Daí a designação “binned”.
No final do dia, é uma jogada de mestre de logística que só alguém como Tim Cook conseguiria orquestrar: aproveitar linhas de produção já estabelecidas e componentes mais baratos para criar um dispositivo que, embora tenha apenas 8 GB de RAM, corre o macOS com uma fluidez que a concorrência Windows não consegue atingir com o mesmo hardware. Aliás, nem é só isto; apesar dos cortes no hardware, o MacBook Neo aparece com uma qualidade de construção que é rara no lado Windows da coisa. Por vezes, supera até modelos acima dos 1000€.
A verdade é que o Windows 11 é um sistema (muito) mais pesado e exigente
Enquanto a Apple insiste na narrativa de que os seus 8 GB de memória unificada equivalem a 16 GB num PC (o que é discutível, mas funciona comercialmente), a Microsoft viu-se obrigada a subir os preços porque os seus portáteis simplesmente não conseguem ser estáveis sem uma quantidade generosa de RAM que, neste momento, está a “preço de ouro”.
O que, claro está, criou um cenário bizarro em 2026: a Apple, tradicionalmente a marca mais cara, é agora a opção mais lógica e económica para quem precisa de um computador fiável para tarefas básicas. Não é extraordinário?
O segredo está no controlo total da produção!
A Apple não é imune às flutuações do mercado. Porém, esta não é apenas uma empresa de desenvolvimento de produtos; é uma máquina de guerra logística. Ao controlar desde o design do chip (Apple Silicon) até à montagem final, a empresa consegue furar a fila de espera nas fábricas de semicondutores, como a TSMC, deixando as migalhas para os outros fabricantes.
Desta forma, enquanto a Dell ou a HP têm de lidar com as flutuações de preços da Intel, da AMD e dos fornecedores de memória, a Apple dita as suas próprias regras. O MacBook Neo é a prova de que, se controlas o motor e o combustível, podes vender o carro muito mais barato que a concorrência. Até parece estranho ver o preço como um argumento forte no lado da Apple, mas isto faz todo o sentido e é uma jogada com um potencial enorme para o futuro da empresa.
Este portátil foi desenhado a pensar no setor educativo, com descontos agressivos para estudantes que o colocam num patamar de preço imbatível. Para a maioria das pessoas que apenas precisa de navegar na internet, escrever documentos e fazer chamadas de vídeo, este “MacBook de entrada” é mais do que suficiente. É um duro golpe para o ecossistema Windows, que está a perder a base da pirâmide de utilizadores por não conseguir competir em eficiência e custo de componentes no meio desta febre da IA.
Conclusão: A Apple tornou-se a “opção barata”?
No fim do dia, o MacBook Neo é o resultado de uma Apple que soube ler o mercado antes de toda a gente. Eles previram a escassez, garantiram os contratos e reciclaram tecnologia de smartphone para criar um produto de massa. Se não és um utilizador profissional que precisa de editar vídeo em 8K, este portátil é provavelmente tudo o que precisas.
Entretanto, a concorrência está encurralada entre o aumento dos custos de produção e a necessidade de alimentar os servidores de IA, deixando o caminho livre para a maçã dominar o segmento de entrada. O meu palpite é que vamos ver uma migração em massa de utilizadores casuais para o macOS nos próximos dois anos. Isto porque, quando um portátil Windows básico começa a custar quase o mesmo que um MacBook, a escolha torna-se óbvia para a maioria das pessoas.
Mas, nem é só aqui. No iPhone também há “vislumbres” de qualidade-preço. Por exemplo, o iPhone 17 Pro é exatamente igual ao iPhone 17 Pro Max em termos de especificações técnicas. O mesmo não acontece nas rivais Android. Por isso, na Apple consegues ter o “topo” por 1349€. No resto? 1499€ ou mais.
Em suma, o lado Windows (e não só) vai ter de se mexer. Pode é ser demasiado tarde.











