Se há coisa que irrita o condutor português, é sentir que está a pagar por regras que, noutros países, são vistas como um excesso. Em Portugal tudo se paga. O imposto de circulação, as portagens com um sistema de classes que faz pouco sentido, e claro, a inspeção anual. Infelizmente, ter um carro é um pesadelo para quem tem orçamentos apertados.
Mas, caso não saibas, recentemente, o Parlamento Europeu discutiu a possibilidade de tornar as inspeções anuais obrigatórias para todos os carros com mais de 10 anos. A resposta dos eurodeputados? Um redondo “não”! Porquê? Simples, é uma medida “desproporcional”.
Só em Portugal é que a desproporção é proporcional.
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Portugal e pedir dinheiro aos condutores… É o normal!

Enquanto a Comissão de Transportes da UE argumenta que não há provas de que as inspeções anuais reduzam os acidentes, em Portugal já vivemos com este regime há anos. Por cá, um ligeiro de passageiros faz a primeira IPO aos quatro anos, depois aos seis, aos oito e, a partir daí, é todos os anos.
Ou seja, a Europa rejeitou uma ideia que os portugueses já cumprem há muitos e longos anos.
As boas notícias: Inspeções “sem fronteiras”
Entretanto, nem tudo são más notícias vindas de Bruxelas. Foi aprovada uma proposta que pode ser uma verdadeira luz ao fundo do túnel para quem viaja ou trabalha no estrangeiro. Ou seja, a possibilidade de realizar a inspeção técnica em qualquer Estado-membro da União Europeia.
Como vai funcionar?
- Poderás inspecionar o teu carro fora de Portugal e receber um certificado temporário válido por 6 meses.
- Isto facilita a vida a quem está deslocado, evitando viagens forçadas apenas para “carimbar a folha”.
- Atenção: no final dos 6 meses, o carro terá de regressar ao país de matrícula para a inspeção definitiva.
Mais tecnologia = mais fiscalização?
A Europa quer também que as IPO acompanhem a evolução dos tempos. Em breve, os centros de inspeção terão de verificar sistemas de segurança ativa, como a travagem de emergência (AEB) e os airbags.
Além disso, o combate à fraude nos conta-quilómetros vai apertar, com as oficinas a serem obrigadas a registar a quilometragem em intervenções superiores a uma hora. Em Portugal, o cerco também está a fechar-se sobre os filtros de partículas e os “recalls” pendentes. Assim, se o teu carro tem uma ação de recolha da marca por cumprir, o chumbo é garantido.
A minha visão? É curioso ver a Europa rejeitar as inspeções anuais por falta de provas de eficácia, enquanto o “fiel tuga” continua a perder manhãs e euros todos os anos assim que o carro faz o seu oitavo aniversário.
No final do dia, é interessante! Somos um mercado único para o que convém, mas na hora de pagar taxas, cada país puxa a brasa à sua sardinha. A única vantagem real no horizonte é mesmo a inspeção transfronteiriça, que já devia existir há décadas.





