A Hyundai cresceu um absurdo durante a pandemia, e de facto, continua num nível altíssimo. Porquê? Simples, porque continua a fazer uma coisa muito interessante no mundo dos elétricos. Ou seja, em vez de andar a lançar propostas tímidas ou sem personalidade, está a construir uma gama cada vez mais séria, mais distinta e mais ambiciosa.
São carros com muita personalidade! O novo IONIQ 9 é provavelmente o melhor exemplo disso mesmo.
Estamos a falar de um SUV 100% elétrico com três filas de bancos, visual futurista, muito espaço interior, bateria grande, arquitetura de 800 V e uma autonomia que pode chegar aos 600 km WLTP.
Ou seja, a Hyundai quer entrar numa liga onde já não basta ser elétrico, algo que em outros tempos era suficiente. É preciso ser premium, confortável e tecnologicamente convincente.
O IONIQ 9 é grande. Muito grande. Mas, estranhamente, não parece vazio.
Carros grandes é coisas que não falta no mercado. Ainda assim, com mais de 5 metros de comprimento e tem uma distância entre eixos de 3,13 metros. O IONIQ 9 conta com espaço a sério. Porém, depois de dar umas voltinhas com ele ao lado do mar, não se sente vazio, nem demasiado pesado. Mais importante que tudo isto, não se sente vazio de ideias.
Ou seja, a Hyundai fala num interior pensado como uma espécie de sala de estar, e honestamente, neste tipo de carro isso faz todo o sentido. Há espaço para pernas, há espaço em altura, há terceira fila utilizável (eu tenho 1m90 e tenho mais de 1 palmo de mão até bater com a cabeça), há piso plano, e há também uma consola central deslizante que ajuda a dar mais flexibilidade ao habitáculo.
No fundo, este é um daqueles elétricos que tenta provar que mobilidade familiar e conforto premium podem andar de mãos dadas.
Não é só espaço. Também há foco real no conforto.
Fazer uma viagem a sério com este IONIQ não me chocaria. Isto porque a Hyundai puxou forte por esse lado. Ou seja, o IONIQ 9 pode contar com bancos dianteiros reclináveis com apoio de pernas, climatização pensada para as três filas, isolamento acústico reforçado, vidros acústicos, pneus com redução de ruído e até um sistema Active Noise Cancelling-Road.
Sim, leste bem. Cancelamento ativo de ruído da estrada num Hyundai.
Isto é importante porque mostra bem onde a marca quer posicionar o carro. A marca quer vender uma experiência mais refinada, mais silenciosa e mais próxima daquilo que muita gente espera de propostas bem mais caras.
A bateria é grande. Enorme como o próprio carro.
Debaixo da carroçaria está uma bateria de 110.3 kWh. É um número quase absurdo. O que por sua vez significa qualquer coisa como até 600 km de autonomia WLTP na versão Long Range AWD com jantes de 21 polegadas.
600 quilómetros é pouco? Talvez. Mas temos de ter em conta que é um carro pesado. São cerca de 2700 kg. Não é pouca coisa para andar de um lado para o outro. Ainda assim, é um automóvel ágil para o peso que tem em cima, e isso é o que importa quando se fala de um veículo focado no conforto para 7 pessoas. (Já vamos falar disso.)
Além disso, graças à arquitetura de 800 V, o IONIQ 9 consegue carregar dos 10 aos 80% em cerca de 24 minutos num posto rápido de 350 kW. Bem bom!
Também anda. E não deve andar pouco.
Em Portugal, o IONIQ 9 chega na versão Long Range AWD, com dois motores elétricos, um por eixo. A aceleração dos 0 aos 100 km/h faz-se em 6,7 segundos e a velocidade máxima chega aos 200 km/h.
Não é um monstro de performance, nem tem de ser. Mas também não é um SUV elétrico molengão montado apenas para parecer moderno. A Hyundai promete ainda vetorização dinâmica de binário, amortecedores autonivelantes e modos de condução para neve, lama e areia.
Ou seja, a marca quer vender conforto, sim, mas sem esquecer que um carro desta dimensão também tem de transmitir confiança.
O design continua a dividir?
A linha IONIQ é acima de tudo diferente. Nunca tentou agradar a toda a gente. E ainda bem que assim é. O novo IONIQ 9 segue exatamente essa mesma lógica. Tem uma frente muito limpa, assinatura luminosa em estilo pixel, silhueta fluida e uma traseira que parece saída de um concept car que, desta vez, chegou mesmo à estrada.
Quer parecer diferente. Mas, mais do que isso, quer parecer avançado.

E isso nota-se também no trabalho aerodinâmico. A Hyundai fala num coeficiente de resistência de apenas 0,269 Cd, o que é muito bom para um SUV deste tamanho. Há flaps aerodinâmicos ativos, jantes desenhadas a pensar no fluxo de ar e vários detalhes escondidos para ajudar a eficiência.
Há muita tecnologia. Talvez até tecnologia a mais?
Um site focado em tecnologia a dizer “tecnologia a mais”? Pode parecer estranho eu sei.
Dito tudo isto, como seria de esperar, o IONIQ 9 vem carregado de ecrãs, conectividade, assistentes e serviços digitais. Temos dois ecrãs de 12,3 polegadas, atualizações remotas, chave digital, loja digital, temas personalizáveis, padrões de luz compráveis, e até um Hyundai AI Assistant com base em ChatGPT.
Aqui, a conversa é a do costume. Parte disto parece útil. Outra parte parece existir porque hoje em dia toda a gente quer meter IA em tudo o que mexe. Algo que começa a enjoar numa altura em que a IA parece perder força todos os dias.
Mas pronto, é o mundo em que vivemos. E a Hyundai claramente não quer ficar para trás nesta corrida.
A segurança também vem bem recheada!
O novo IONIQ 9 traz praticamente tudo aquilo que hoje se espera de um topo de gama elétrico familiar. Há assistência frontal avançada, manutenção e seguimento na faixa, Highway Driving Assist 2, monitorização de ângulo morto, estacionamento remoto, travagem em marcha-atrás, aviso de saída segura, alerta de ocupantes traseiros e muito mais.
Ou seja, a Hyundai quis mesmo fechar o círculo. Espaço, autonomia, conforto, tecnologia e segurança.
O preço…
O novo Hyundai IONIQ 9 já está disponível em Portugal a partir de 62.500 euros, mas convém olhar com atenção para a letra pequena. Este valor surge numa campanha para empresas e ENI, acresce IVA e está limitada no tempo e no stock.
Mesmo assim, continua a ser um número que chama a atenção, porque posiciona o carro de forma bastante agressiva para aquilo que oferece. Especialmente quando olhamos para o tamanho, bateria, autonomia e equipamento, e claro, rivais que já existem a rolar.
Conclusão
O IONIQ 5 já tinha mostrado que a Hyundai sabia fazer elétricos diferentes. O IONIQ 6 provou que também sabia arriscar no design. Por sua vez, o IONIQ 9 vem agora mostrar que a marca quer subir de nível e atacar uma zona mais premium do mercado com argumentos bem sérios.
É grande, é sofisticado, é tecnológico e parece muito mais pensado do que muita coisa que anda por aí.
Para terminar, agora é ver como corre. A proposta é interessante e vai mexer com toda a certeza.
Podes ficar a saber mais aqui.











