Quando se fala em carros 100% elétricos, há dois temas que aparecem logo no topo da conversa: autonomia e tempo de carregamento. Pois bem, a verdade é que os dois estão intimamente ligados.
Ou seja, não basta ter muitos quilómetros de autonomia no papel, até porque a autonomia de um carro elétrico é quase sempre “mentirosa”. Por isso, o que realmente interessa, sobretudo em viagens longas, é quanto tempo ficas parado a carregar e quantos quilómetros recuperas nesse tempo.
É aqui que entra a famosa curva de carregamento. Isto é algo (muito) importante se andas a equacionar dar o salto para um 100% elétrico.
Não é como no telemóvel. Nem todas as cargas são iguais!
Muita gente ainda acha que, se um carro suporta carregamento rápido a 100 kW, então vai carregar sempre a 100 kW até chegar aos 100%. Não funciona assim.
Ou seja, a potência máxima anunciada é apenas um pico, usado durante uma parte muito específica do carregamento. A partir daí, a velocidade vai cair, e às vezes de forma bastante acentuada.
Imagina um copo de água!
Imagina que estás a encher um copo de água o mais depressa possível. No início, podes abrir a torneira ao máximo sem problemas. Mas à medida que o copo vai ficando cheio, tens de reduzir o caudal, ou, como está agora Portugal, a água transborda.
Com uma bateria de iões de lítio acontece algo muito parecido.
No início, quando a bateria está mais vazia, aceita muita energia rapidamente. Mas, à medida que se aproxima da carga máxima, o sistema abranda de propósito para proteger a bateria, evitar sobreaquecimento e prolongar a sua vida útil.
Resultado? A curva de carregamento nunca é uma linha reta.
O ponto ideal está entre os 20% e os 80%
Normalmente chegas a um carregador entre os 10% e 20%, e a partir daí o carregador dá tudo o que tem, e o carro aceita toda a energia que de facto consegue. Ou seja, a energia sobe muito rapidamente até ao “pico”, e até se mantém lá em cima durante algum tempo.
Depois começa a cair de forma progressiva. É exatamente por isso que nunca deves carregar até aos 100% num carregador público. Vais pagar a potência máxima, mas vais carregar valores muito inferiores ao “pico”.
Um carro elétrico deve ser carregado até aos 80% no máximo, depois é só… Perder dinheiro.
É exatamente por isto que as fabricantes falam sempre dos 20% aos 80% para demonstrar tempos de carregamento super apelativos. Porque é exatamente aqui que é possível meter energia “à bruta” na bateria.
Planeamento faz toda a diferença
Em viagens longas, a estratégia mais eficiente raramente passa por carregar até aos 100%. Normalmente, compensa mais fazer mais paragens curtas, sempre dentro da zona rápida da curva, do que uma paragem longa a tentar espremer os últimos percentuais.
É também por isso que as melhores apps e sistemas de navegação para carros elétricos já têm isto em conta, sugerindo paragens quando a bateria está baixa e mandando-te seguir viagem assim que deixas a zona eficiente do carregamento.
Conclusão
A curva de carregamento é uma das chaves para perceber se um carro elétrico é realmente bom em viagens longas. Não é só a autonomia WLTP, nem a potência máxima anunciada.
É o equilíbrio que tens de ter em conta sempre que fazes uma viagem mais longa. Vale mais a pena carregar dos 30% aos 50%, do que carregar dos 80% aos 100%.









