Se nos últimos dias já sentiste que Portugal virou um modo lavandaria automático, prepara-te: a próxima semana tem condições para trazer novo pico de precipitação, com especial atenção ao Norte e Centro e ao comportamento dos rios. A leitura que vários mapas e modelos estão a sugerir é simples: vem aí mais um corredor de humidade a alimentar frentes sucessivas, com períodos em que pode chover muito em pouco tempo. Segundo a Luso Meteo, em algumas zonas o acumulado pode aproximar-se do que normalmente cai num mês, mas comprimido em poucos dias. Resumidamente vem aí mais chuva e é preciso cuidado, sobretudo por causa das cheias.
Alerta: vem aí mais chuva pesada e risco de cheias (9 a 15 de fevereiro)
Isto não significa que tenhas uma tempestade nomeada a apontar diretamente ao país. O problema aqui é outro: persistência. Quando a chuva entra em modo contínuo, o solo satura, os ribeiros enchem rápido e os rios começam a responder com atrasos que às vezes apanhamos de surpresa.

O que está a causar esta carga de chuva
O padrão é típico de inverno atlântico: uma faixa de ar muito húmido vinda de latitudes mais baixas, que ao encontrar frentes e relevo faz o que sabe fazer melhor… despejar. Em Portugal, isto costuma traduzir-se numa regra chata mas real: nas serras e zonas expostas ao fluxo húmido, chove mais e durante mais tempo, e essa água acaba sempre a ir parar aos grandes cursos de água.
Onde pode doer mais
A tendência aponta para maior risco no Norte e Centro, sobretudo em áreas montanhosas e bacias com resposta rápida. A Luso Meteo chama atenção para vários rios e respetivas bacias, com destaque para Minho, Douro, Vouga, Mondego e Tejo, porque o risco não é só a chuva cair, é a soma de chuva em sequência, caudais já elevados e temperaturas relativamente amenas, que podem contribuir para degelo nas cotas mais altas.
- Se vives perto de linhas de água, zonas baixas, marginais e vales, esta é uma semana para estar atento.
- Se tens histórico de alagamentos na tua rua, esta é daquelas alturas em que pequenos entupimentos viram grandes chatices.
O calendário provável: três janelas a vigiar
Em vez do clássico dia a dia, faz mais sentido pensar em “janelas” de maior risco, porque é isso que interessa para a vida real.
Janela 1: início de semana (segunda)
O arranque pode ser mais húmido e instável, com períodos de chuva mais espaçada e nevoeiro em alguns locais. Não é necessariamente o pior momento, mas é aquele que começa a “preparar” o terreno.
Janela 2: meio da semana (terça e quarta)
Aqui é que a coisa pode ganhar outra dimensão, com chuva mais persistente e por vezes intensa, sobretudo no Norte e Centro. É também a fase em que normalmente aparecem os maiores acumulados nas serras e, horas depois, os rios começam a dar sinais.
Janela 3: sexta-feira
Há sinais de nova deterioração, com possibilidade de um episódio mais ativo de vento e chuva. Ainda pode ajustar, mas é um dia para manter no radar porque pode ser o segundo “pico” da semana.

E o fim de semana?
Há uma hipótese de melhoria gradual, principalmente a sul, se a alta pressão conseguir aproximar-se. Mas não é garantia. A história recente deste inverno mostra que estas tentativas de “viragem” muitas vezes chegam tarde, ou chegam incompletas. Para já, o cenário é: pode aliviar, mas não contes com céu limpo para todo o lado.
O que podes fazer já (sem alarmismos, só prevenção útil)
Isto é o tipo de semana em que pequenos hábitos evitam problemas grandes.
Não estaciones em zonas onde a água costuma acumular.
Se vires sarjetas entupidas perto de casa e for seguro, tenta desobstruir o básico.
Em estrada, regra de ouro: não atravesses lençóis de água. Basta uma corrente mais forte e o carro perde aderência.
Garante o kit mínimo: powerbank carregada, lanterna, e uma forma de receber alertas.
Se vives perto de rio, ribeira ou linha de água, acompanha os avisos e a evolução do nível da água, não só a chuva.

