Spectrum: o mais relevante de 2017 (parte 1)

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Início do ano é altura de fazer uma resenha de tudo o que de bom (e de menos bom) se passou durante aquele que foi um dos melhores anos de sempre para o Spectrum. Impressionante, tendo em conta que 2017 foi o trigésimo quinto aniversário deste computador, lançado em abril de 1982. E se levarmos em linha de conta que a maior parte dos jogos são gratuitos, vemos que a cena está a pulsar de forma muito saudável.

O ano começou a meio gás. No entanto, surgiu em janeiro um novo programador, que lançou Monty’s Honey Run, uma continuação das aventuras de Monty, personagem muito famoso nos anos 80. Tivemos também o privilégio de testar o jogo antes do seu lançamento e o resultado final foi bastante interessante, originando um platformer puro.

Ainda estávamos em pleno desfruto desta primeira aventura, e eis que passado um mês, Andy Johns volta à carga, desta vez com a continuação da saga, Monty Mole and the Temple of Lost Souls. Esta segunda parte conseguiu elevar a fasquia relativamente à primeira, apresentando agora um jogo mais polido e com melhores gráficos, deixando desde logo a confirmação de que estávamos perante um valor seguro da cena.

Dois dias depois (meados de fevereiro), nova surpresa, com a alma gémea de Andy Johns, John Blythe, a estrear-se também nos jogos para o Spectrum, lançando Foggy´s Quest, um misto de platformer com aventura de arcada, e que desde logo nos cativou. Confirmou também a presença de um muito promissor programador, tal como o tempo o veio a demonstrar ainda durante o ano.

Fevereiro não foram apenas boas notícias, infelizmente. O Vega +, projeto de crowdfunding que gerou mais de quinhentas mil libras de receitas, volta a falhar o prazo de entrega das consolas, levando a um aumento da desconfiança por parte dos backers, que, diga-se, já era elevado.

Por outro lado, é anunciado para março o crowdfunding do Spectrum Next, estando a data dependente da Kickstarter, mas gerando desde logo um hype na cena.

Ainda em março, surge o DivMMC Future, sucessor do DivMMC Enjoy! e que permite através de um cartão SD carregar os jogos imediatamente no Spectrum, ferramenta fundamental para todos os que preferem o hardware original aos emuladores.

Em termos de jogos, quem se volta a destacar é novamente Andy Johns, lançando agora Ooze, seguramente um dos melhores jogos do ano para o formato do Spectrum. Apesar de ter sido criado com o Arcade Games Designer, consegue explorar ao máximo as capacidades deste motor, apresentando um platformer tremendamente colorido e com elementos que o destacam dos restantes jogos do género, como por exemplo o sistema de movimentação do nosso personagem (uma lesma viscosa).

E ainda antes do primeiro trimestre acabar, houve tempo para Paul Jenkinson, autor do The Spectrum Show e muitos jogos para o Spectrum, lançar Code Zero, aventura de arcada que dividiu opiniões, mas que de qualquer forma conseguiu que fosse do nosso agrado.

O mês de abril foi mais fraco em termos do número de lançamentos, no entanto foi o mês em que se iniciou a campanha de crowdfunding do Spectrum Next, e também o mês em que começam a aparecer imagens da mega produção The Sword of Ianna, que viria a sair no segundo semestre.

Mas uma das mais surpreendentes notícias, foi o remake de Crystal Kingdom Dizzy (o famoso ovo nascido há trinta anos), explorando as capacidades do Spectrum ao máximo, com gráficos e som inimagináveis nos anos 80 e com uma jogabilidade verdadeiramente espantosa. Pensava-se, nessa altura, que muito dificilmente surgiria algo melhor durante o ano, pese embora ter sido recentemente apresentado o trailer de apresentação de The Sword of Ianna e que mostrava também um produto de elevada qualidade.

Em maio, com a bem-sucedida campanha de crowdfunding do Spectrum Next e que excedeu todas as expetativas iniciais, são anunciados jogos exclusivos para este novo computador e que estão a deixar todos os backers com água na boca: nova aventura de Dizzy, remakes de Rex e Nodes of Yesod, e DreamWorld Pogie.

Comecam também a aparecer as notícias a dar conta de novos jogos a serem desenvolvidos para o Spectrum Next, com destaque para No Fate, com a dupla responsável por Castlevania a pegar neste projeto, que somente em 2018 irá ver a luz do dia.

O mês de maio traz também uma excelente notícia para o panorama português: Jaime Grilo estreia-se com O Tesouro de Lumos, primeiro de muitos jogos que este autor lançou durante o ano e que serviu para afinar as suas capacidades com o motor Arcade Games Designer.

Em junho chega mais uma surpreendente notícia. Demonstrando o interesse que o Spectrum voltou a ter na comunidade, em especial naquela mais virada para o retro, surge uma revista luso-brasileira dedicada a este sistema (a primeira a aparecer em mais de trinta anos no nosso país) a Espectro. Como não podia deixar de ser, o destaque vai para o Spectrum Next.

Quanto a lançamentos relevantes, destaca-se Blimpgeddon, um dos jogos mais difíceis que encontrámos, mas apesar de tudo a merecer que lhe seja dada uma oportunidade e um novo jogo de Jaime Grilo, a dar início à saga de Jane Jelly (moça com dois proeminentes apêndices), com The Adventures of Jane Jelly @ the Treasure of Zedin, aventura de arcada simples, mas viciante, e a criar expetativas altas para os futuros lançamentos deste autor.

E assim acabou o primeiro semestre de 2017. Brevemente iremos dar conta do segundo semestre, que foi ainda mais emocionante que o primeiro.

 

 

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André Leão

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