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Mighty Final Fight: os beat’em’ups de volta ao Spectrum

André Leão

Publicado a

Dos dezoito jogos que entraram a concurso na ZX-Dev Conversions, Might Final Fight é talvez o mais sério concorrente a vencer a competição. As sondagens existentes o demonstram, sendo o mais popular dos candidatos. E merecidamente, como iremos ver.

Originalmente lançado no final da vida da NES, Mighty Final Fight foi a resposta da Capcom para converter um dos seus grandes sucessos das máquinas de jogos para a consola de 8 Bits da Nintendo, que resultou numa espécie de spin-off do jogo original, uma vez que seria impossível convertê-lo com a mesma qualidade para o sistema. Nesta nova versão o enredo ficou praticamente o mesmo, com a mudança da jogabilidade para dois botões de ação e com os gráficos redesenhados para ficar com um toque tipo cartoon. A versão do ZX Spectrum é então um demake da versão da Nintendo 8 Bits, mas com pequenas diferenças.

Por outro lado, Final Fight chegou a ser lançado para o Spectrum em 1991 pela U.S. Gold, mas mesmo tendo gráficos soberbos, muito fiéis ao original, a jogabilidade era sofrível e o jogo acabou por ser um flop.

O jogo desenrola-se ao longo de cinco níveis, apenas para um jogador. Mas logo no início é-nos dada a possibilidade de escolher três personagens diferentes, Cody, Guy e Haggar, cada um com características e estilos de luta (golpes) diferentes. O nível de experiência inicial de Haggar é de 3, sendo o personagem mais forte, mas em contrapartida o mais lento. Cody e Guy começam no nível 1, sendo Guy o mais rápido de todos, mas também o mais fraco, e Cody, o personagem que reúne um conjunto de características intermédias, entre força, rapidez e evolução de experiência.

Com três diferentes personagens, quer isso dizer que existem também três diferentes finais, aumentando a própria longevidade de Mighty Final Fight. E já agora a missão, embora pouco importante seja para o caso: a filha do presidente da Câmara foi raptada pelo temível líder do gang Mad Gears, cabendo a nós o papel de a resgatar, contra tudo e contra todos, ou seja, soco e pontapé a rodos.

O que temos então aqui é um gang beat’em’up puro, a fazer lembrar Target Renegade, Double Dragon e mais alguns que tão boas memórias nos trazem dos anos 80. Mas relativamente a esses, e também ao original, existe um aspeto que sobressai. Assim, consoante vamos derrubando os inimigos, enche-se uma barra de poder. Quando está mais cheia, permite que tenhamos acesso a golpes mais poderosos, mas quando esta fica menos cheia, por utilizarmos o super-golpe ou por sermos atingidos pelo adversário, voltamos a ter disponíveis apenas os golpes mais básicos, o que é uma forte contrariedade quando encontramos oponentes mais poderosos. Pelo meio vamos encontrando ratazanas ou barris, que se pontapeados nos concedem comida, aumentando a nossa energia.

Uma outra mudança relativamente à versão NES foi a redução dos dois botões do comando, para apenas um botão de ação. No começo temos a opção de entrar no modo tutorial para aprendermos os golpes. Deixando a tecla de ação premida, o personagem executa os golpes e, combinando com outras teclas ou com combinações pré-definidas, podemos executar alguns golpes mais poderosos, ou finalizações. Pode parecer, por vezes, que jogamos em modo piloto automático, já que ao premir a barra de espaços o boneco faz uma combinação de meia dúzia de murros de seguida. Após algum tempo já estaremos batidos no esquema.

O grafismo está também muito fiel ao original, apenas com a natural limitação de cores do Spectrum, mas que praticamente nem se nota face à magistral animação. O jogo contém mesmo pormenores deliciosos, como por exemplo quando defrontamos um chefe dentro de uma casa, onde é possível vislumbrar-se o trovejar no exterior e a projeção da luz dos relâmpagos no chão. Por outro lado, ao nível sonoro as melodias são do melhor que já foi feito para o Spectrum, com a inclusão de música e efeitos sonoros em simultâneo, e quem mesmo sendo básico, confere uma maior profundidade sonora à ação.

Mighty Final Fight é uma conversão fabulosa, mas apenas disponível apenas para 128K, e tendo a ROM mais de 360K, torna-se um jogo mais indicado para jogar em emulador do que na máquina real, a não ser que tenhamos um dispositivo físico de leitura de ROM’S para o Spectrum como o Dandanator (disponível na Retroshop.pt). Aliás, não é por acaso que este jogo irá sair muito em breve acoplado a esse sistema, pelo que se devem manter atentos às novidades. É que este é mesmo um jogo a não perder, e se conseguirmos optimizar a sua performance com um sistema adicional de memória, não devem pensar duas vezes.

Convida-se também a experimentá-lo, podendo aqui ser descarregado.

Outras notícias de hoje:

Tive o meu primeiro computador em 1985, um TC 2048, que me iniciou na informática. Apesar de no final dos anos 80 ter definitivamente passado para os 16 bits, o bichinho do Spectrum e clones sempre ficou, até aos dias de hoje. Atualmente coleciono tudo o que tenha a ver com o Spectrum e vou estando a par das novidades deste mercado, sendo fundador do blogue Planeta Sinclair.

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