Estás à procura de casa para alugar ou de um apartamento para as férias. Depois de horas a fazer scroll, encontras o anúncio perfeito: fotos incríveis, localização de sonho e um preço que, embora razoável, é suspeitosamente competitivo. Entras em contacto e a resposta é rápida e simpática. A única condição para garantir a reserva? Uma caução simbólica de apenas 1€. O teu cérebro faz um cálculo rápido: Bem, se for burla, só perco um euro. O risco é mínimo. É exatamente neste pensamento que os criminosos apostam. Este novo golpe no arrendamento está a explodir e é muito mais perigoso do que os antigos esquemas de sinal de 500 euros. Assim cuidado com este golpe no arrendamento.
Este golpe no arrendamento está a aumentar: o valor parece pequeno!
Durante anos, o modus operandi era pedir 100, 200 ou 500 euros para segurar a visita. Mas as pessoas ficaram alertas. Ninguém quer transferir meio ordenado para um desconhecido sem ver a casa. A resposta dos burlões foi um golpe de génio da engenharia social: baixar a barreira de entrada.

Ao pedirem apenas 1€, eles removem o teu medo. O valor é tão irrisório que desarma as tuas defesas. Mas, na realidade, não estão interessados na moeda. Estão interessados no método que usas para a enviar.
O “Cavalo de Troia” Digital: O que realmente acontece
Quando aceitas pagar esse euro, estás a cair numa de duas armadilhas:
Phishing de Cartão de Crédito: O burlão envia-te um link para um site de pagamento que parece legítimo (ou clonado de uma plataforma conhecida). Ao introduzires os dados do teu cartão para pagar o tal euro, estás a entregar o número, a validade e o código CVV diretamente aos criminosos. O euro sai, mas dias depois, a tua conta é limpa.
Validação de Dados: Mesmo que faças uma transferência simples, ao dares os teus dados completos (Nome, NIF, IBAN) para “formalizar o contrato”, estás a fornecer o kit completo para roubo de identidade.
Além disso, é um jogo de escala. Enganar 5 pessoas em 200€ é difícil e levanta suspeitas rápidas. Enganar 1000 pessoas em 1€ passa despercebido durante muito tempo, gerando um lucro limpo e uma base de dados de vítimas pronta a ser vendida na Dark Web.
O fator psicológico: O “Pé na Porta”
Há outro truque mental aqui. Em psicologia, chama-se a técnica do pé na porta. Assim que fazes um pequeno compromisso financeiro (o euro), sentes que a casa já é tua.
Depois do pagamento, o burlão volta à carga: Olha, para finalizar, preciso só de uma taxa de limpeza de 20€ ou Falta a cópia do Cartão de Cidadão. Como já pagaste o primeiro valor, sentes-te comprometido a continuar o processo. É uma espiral que começa numa moeda e acaba num prejuízo gigante.
Checklist de Sobrevivência: Como detetar a fraude
Antes de sequer pensares em abrir a carteira (física ou digital), faz isto:
A Regra da Proporcionalidade: Nenhuma caução legítima custa 1€. Se o valor não cobre sequer a limpeza, é isco.
Investigação Google Lens: Guarda as fotos do anúncio e usa o Google Lens (ou a pesquisa de imagem do Google). Vais descobrir rapidamente se aquelas fotos “exclusivas” foram roubadas de um site de imobiliário de luxo em Nova Iorque ou de um Airbnb em Bali.
A Prova de Vida: Entretanto pede uma videochamada para veres a casa em tempo real. Se inventarem desculpas (estou fora do país, a chave está com a porteira), bloqueia imediatamente.
Atenção aos Links: Nunca pagues através de links enviados por WhatsApp ou email que te levem a “gateways” desconhecidos. Usa sempre plataformas oficiais com proteção ao consumidor.

Já caíste? Age em segundos
Se pagaste o tal euro, não fiques à espera. O tempo é o teu inimigo:
Cancela o cartão: Contacta o teu banco imediatamente para cancelar o cartão usado. Não esperes ver movimentos estranhos.
Denuncia: Entretanto reporta o anúncio na plataforma e apresenta queixa na polícia.
Alerta a comunidade: Partilha a tua história. Assim grupos como o “Não caias em Esquemas! Alerta anti-burla” no Facebook são essenciais para queimar estes perfis falsos.

