Este rendimento pode fazer-te perder o Abono de Família

Muitos pais acreditam que só o salário conta para o Abono de Família e mais nenhum rendimento. Tudo o resto parece secundário, irrelevante ou demasiado pequeno para fazer diferença. Mas é aqui que está o problema: há rendimentos que parecem inofensivos e que podem mesmo mudar o escalão do apoio. Na prática, basta um detalhe mal interpretado para o valor do Abono de Família descer… ou para a família deixar de ter direito ao apoio sem perceber bem porquê.

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Abono de Família: o que se entende por rendimento (e não é óbvio)

Quando se fala em rendimentos do agregado familiar, não se está a falar apenas de salários mensais. O cálculo inclui outros valores que muita gente não associa imediatamente ao Abono de Família.

dinheiro

Por exemplo, trabalhos pontuais pagos com recibos verdes, mesmo que tenham sido feitos apenas durante alguns meses. Subsídios ocasionais, rendimentos declarados no IRS de um ano específico ou até certos apoios recebidos no passado podem continuar a pesar no cálculo, mesmo quando já não existem.

O problema não é receber esse dinheiro. O problema é ele continuar a ser considerado quando já não faz parte da realidade do agregado.

Porque é que isto afeta tanto o Abono de Família

O Abono de Família funciona por escalões. Pequenas variações no rendimento podem ser suficientes para passar de um escalão para outro e isso reflete-se diretamente no valor mensal recebido.

Uma família pode não notar grande diferença no rendimento anual, mas o sistema nota. E quando nota, ajusta o apoio para baixo.

Ao longo de um ano, essa descida pode representar centenas de euros a menos, sobretudo em agregados com mais do que um filho.

Um caso típico (e muito frequente)

Imagina um dos pais que faz um trabalho pontual num determinado ano, emite alguns recibos verdes e declara esse rendimento no IRS. No ano seguinte, esse trabalho termina. Não há mais recibos, nem rendimento extra.

Se essa situação não se refletir corretamente nos dados usados para os apoios sociais, o sistema continua a assumir que aquele rendimento existe. O agregado aparece com mais rendimentos do que realmente tem e o Abono de Família é calculado com base nisso.

Na prática, o apoio baixa por causa de um rendimento que já não existe.

O erro não está em declarar está em não rever

Declarar rendimentos é obrigatório e correto. O erro acontece quando se assume que tudo se ajusta automaticamente depois.

Em muitos casos, não ajusta. Os dados ficam congelados até alguém os rever. Enquanto isso, o apoio calcula-se com base numa fotografia antiga da realidade familiar.

E aqui volta a mesma ideia-chave: é apenas um detalhe que passa despercebido mas que pode estar a reduzir o valor dos apoios sem que a família se aperceba.

Como saber se este rendimento te está a afetar

Há alguns sinais simples. Se o Abono de Família baixou de um ano para o outro sem que o rendimento atual tenha aumentado, algo pode não estar a bater certo. O mesmo acontece se houve rendimentos pontuais num ano específico e o apoio nunca mais voltou ao valor anterior.

Nestes casos, vale a pena confirmar quais são os rendimentos considerados no cálculo atual.

O que fazer para corrigir a situação

A verificação deve-se fazer através da Segurança Social Direta. É aí que se pode confirmar o rendimento de referência do agregado e perceber se ainda estão a ser considerados valores que já não existem.

Atualizar os dados não garante automaticamente um aumento, mas garante que o Abono de Família reflete a situação real e não um rendimento “fantasma”.

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Ana Oliveira
Ana Oliveirahttp://leak
Descobriu a paixão pela tecnologia entre aulas de engenharia e fóruns de gadgets, onde passava horas a debater especificações e novidades. Gosta de explicar tecnologia de forma simples, direta e prática como se estivesse a falar com amigos. É fascinada por tudo o que envolva inovação, privacidade digital e o futuro dos smartphones. Quando não está a escrever, está a testar apps, a trocar de launcher ou a explorar menus escondidos no Android.

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