Casanova: mais um jogo de Borrocop traduzido para a nossa língua

Continuando na senda da reedição de antigos jogos da Topo Soft, em alguns casos finalizando-os e/ou corrigindo bugs que os impediam de ser terminados, mas também de novos jogos, como foi o caso de Topo Mix Game, é agora lançado Casanova. E tal como aconteceu com os restantes jogos lançados pela Team / Topo Siglo XXI, também este jogo teve direito a tradução para português pelo blogue Planeta Sinclair. Além disso, quem adquirir a versão física do jogo, tem direito a um bónus no lado B: a versão beta de Casanova, realizada um ano antes, mas que continha alguns bugs, depois corrigidos na versão definitiva de 1989. Vale então a pena contar a história deste jogo…

Assim, no final de 1987 / início de 1988, Alfonso Fernández Borro (aka Borrocop) chegou à Topo Soft. Tendo os seus trabalhos gráficos impressionado essa editora, colocaram-no em contacto com Jose Carlos Pinel, que tinha sido o responsável por “Ramon Rodriguez”, na altura através da Erbe Software. Embora os gráficos de Casanova tenham inicialmente passado por Julio Erro, este não deu continuidade ao projecto, passando então para as mãos de Borrocop. No entanto, por vários motivos, Casanova (na altura ainda chamado de Pizza e Pasta), não foi lançado, tendo depois a Topo Soft cedido a distribuição à Iber Software. Entretanto, Borrocop conseguiu recuperar o programa original, que era uma versão beta sem música, diminuiu-lhe o nível de dificuldade (o original era praticamente injogável), sendo agora lançado na colecção do trigésimo aniversário da Topo Soft, como um extra ao lançamento de Casanova.

Relativamente a Casanova, Pizza e Pasta tem também outras pequenas diferenças. Assim, além do duplo ecrã de carregamento, tendo um deles sido agora criado por Borrocop, alguns personagens são diferentes relativamente à versão definitiva e o nosso galante herói lança agora notas musicais (fatais para os seus inimigos), em vez de disparar tiros. Tudo o resto mantém-se igual à versão definitiva, no entanto não deixa de ser notável trinta anos depois termos acesso a uma versão que nunca antes tinha sido lançada e que permanecia como MIA (Missing in Action). Ressalva-se aqui o facto de esta versão de Pizza e Pasta não estar (nem vir a ser no futuro) traduzida, mantendo-se fiel ao original.

E chegamos então a esta versão de Casanova de 1989, agora relançada em 2018. O ecrã de carregamento é desde logo diferente da versão beta (quem adquiri a cassete poderá verifica isso mesmo). Mas quer seja o original, quer seja o novo criado por Borrocop, são verdadeiras obras de arte e que realçam um dos pontos fortes deste jogo, que são os cenários e gráficos criados, como iremos ver mais à frente.

A acção de Casanova passa-se em Veneza, naturalmente. Corre na cidade um boato que Casanova regressou, tendo até sido avistado por alguns habitantes. E a fama precede-o, tendo as mulheres ficado em histeria, na esperança de receberem o seu chamado. Mas este verdadeiro Don Juan apenas aparece ao anoitecer e é aqui que entramos nós.

Na pele de Casanova e ao longo de três níveis, temos que apanhar todas as máscaras espalhadas pelos cenários. Só depois poderão apanhar a gôndola que medeia cada um dos níveis e avançar para o seguinte. O primeiro e segundo nível decorre nos palácios e ruas de Veneza, sendo retratado em belíssimos cenários, com alguns dos melhores gráficos que vimos para o Spectrum e que nem o natural colour clash lhe retira brilho.

Mas a tarefa é muito árdua, fazendo jus aos jogos espanhóis, que normalmente impõem um nível de dificuldade muitíssimo alto, tornando-se mesmo frustrante em alguns casos. E Casanova sofre um pouco desse mal, pois desde o ecrã inicial que somos logo fustigados pelos muito inimigos que não se enamoraram pelos encantos de Casanova. E estes aparecem na pele de donzelas de meia-idade, piratas, malabaristas, entre outros, e que além disso nos tentam atingir com tudo o que têm à mão. O mínimo toque é fatal, e de cada vez que perdemos uma vida voltamos ao início desse nível.

Depois, temos também um tempo limite para recolher as máscaras. O tempo é representado por uma barra de energia que vai diminuindo à medida que o tempo passa, quando chega ao fim, perde-se mais uma vida e volta-se ao início do nível.

Mas Casanova não se encontra desarmado. Pode lançar sobre os seus inimigos notas musicais, que os eliminam. O problema é que estas também são em número limitado. No entanto, em alguns cenários, um pássaro deixa alguns presentes, permitindo repor os nossos stocks de energia e notas musicais. Aliás, é fundamental sabermos quais os quadros onde o pássaro aparece, pois só repondo os stocks regularmente conseguirão terminar o nível sem perder vidas.

Se conseguirem terminar os dois primeiros níveis, o terceiro já decorre num ambiente diferente. Assim, em vez dos palácios e canais de Veneza, entram agora num barco de piratas. No entanto o objectivo é o mesmo, recolher todas as máscaras e subir ao mastro, onde poderão demonstrar que são um autêntico perigo público, para as mulheres, obviamente.

O excessivo grau de dificuldade é o factor que menos gostámos neste jogo. Termos que lutar contra uma multidão de inimigos, ao mesmo tempo ter em conta o tempo/energia disponíveis, e ainda procurar pelas máscaras, que muitas vezes estão em pontos de difícil acesso e que só após muita tentativa e erro é que conseguiremos descobrir a forma de a elas aceder, irá fazer com que muito jogador fique frustrado e não avance no jogo. E o que é uma pena, pois apesar de Casanova não ter uma curva de dificuldade crescente, a experiência fará com que aos poucos consigamos perceber onde os inimigos vão aparecer e como lidar com eles, assim como recolher as máscaras da forma mais célere.

Este é daqueles jogos que efectivamente compensa ser perseverante, nem que seja para ver até ao fim os belíssimos cenários criados.

Casanova poderá aqui ser descarregado. A versão física portuguesa (e mais tarde as inglesas e espanhola) poderão também ser adquiridas, tendo todas como bónus no lado B Pizza e Pasta, que nem que seja apenas por isso, valerá a sua aquisição.

André Leãohttp://planetasinclair.blogspot.pt/
Tive o meu primeiro computador em 1985, um TC 2048, que me iniciou na informática. Apesar de no final dos anos 80 ter definitivamente passado para os 16 bits, o bichinho do Spectrum e clones sempre ficou, até aos dias de hoje. Atualmente coleciono tudo o que tenha a ver com o Spectrum e vou estando a par das novidades deste mercado, sendo fundador do blogue Planeta Sinclair.

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