Quem diria que, em pleno 2026, a Apple se tornaria a opção “económica” e lógica dentro do mundo dos portáteis? Ou seja, enquanto o resto da indústria está a afundar, a gigante de Cupertino está a rir-se sozinha, naquilo que parece ter sido um planeamento de génio. Como assim? Pois bem, de acordo com os dados mais recentes da Sigmaintell, o mercado global de portáteis vai sofrer uma queda de 8% este ano. Mas as encomendas de MacBooks preparam-se para saltar uns impressionantes 21,7%. Ou seja, no meio do caos, a Apple é a única grande fabricante que está realmente a crescer.
Este fenómeno não acontece por acaso. A Apple está a ser muito inteligente. Ou seja, enquanto as marcas rivais estão a ser fustigadas pelo “RAMpocalypse” e pela subida desenfreada dos preços da memória DRAM, a Apple colhe os frutos de uma estratégia desenhada há anos e implementada na altura certa.
Portanto, a combinação de uma arquitetura de memória unificada eficiente com uma gestão de stock agressiva permitiu à marca manter os preços congelados, enquanto a concorrência se viu obrigada a disparar os valores para não perder dinheiro.
MacBooks em 2026: Quando a Apple se torna a opção “económica”, parece que tudo ficou um absurdo!
Portanto, no lado dos portáteis, a grande vantagem competitiva da Apple neste momento chama-se memória unificada. Ou seja, ao contrário dos PCs tradicionais, onde o CPU e o GPU precisam de copiar dados entre si, nos chips da Apple todos os componentes acedem ao mesmo “poço” de memória de alta velocidade. Assim, a necessidade de ter quantidades absurdas de RAM diminui, porque a que existe é usada de forma muito mais inteligente.
Mais concretamente, o macOS utiliza algoritmos de compressão de memória tão agressivos que consegue manter tudo a fluir mesmo em modelos de entrada. Claro que ter mais memória RAM é sempre melhor e, de facto, em 2026, olhar para um portátil com apenas 8GB é no mínimo estranho. Mas o único portátil da Apple com 8GB é o MacBook Neo. E, de facto, o MacBook Air M5 com 16GB continua com o mesmo preço apetitoso do passado.
Ou seja, a estratégia não está apenas no “low-cost”; é multifacetada.
Aliás, esta estratégia de preços também se estende ao iPhone, visto que o iPhone 17 Pro é o único smartphone “compacto” exatamente igual ao modelo mais poderoso. Isto significa que podes ter o iPhone mais poderoso por 1349€, em vez dos normais 1499€ do Pro Max ou (quase) todos os Ultra do lado Android da coisa.
A Microsoft “ajudou” a Apple a dominar?
A estratégia de congelamento de preços da Apple foi o golpe de misericórdia. Mas, quando olhamos para o topo da gama, o cenário é ainda mais bizarro. Um Surface Laptop de 15 polegadas com 64 GB de RAM custa agora cerca de 3649$, enquanto um MacBook Pro de 16 polegadas com o chip M5 Pro e a mesma memória começa nos 3299$. Portanto, a Apple não só é mais eficiente, como é agora mais barata em vários segmentos comparáveis.
Esta “destruição de procura” que está a afetar as marcas Windows deve-se quase inteiramente à dependência que estas têm dos fornecedores de componentes externos. Como a Apple controla o motor (o chip) e o combustível (o software), consegue ditar as suas próprias regras. No fundo, 2026 está a ser o ano em que o ecossistema fechado da maçã provou ser a sua maior fortaleza contra as crises globais de hardware.
Conclusão: O ano da mudança?
Com 28 milhões de unidades previstas para este ano, os MacBooks estão a conquistar uma fatia de mercado que antes parecia impossível.
Se o objetivo era tornar o Mac um produto de massa, o MacBook Neo e a manutenção dos preços foram a chave mestra. Agora, resta saber quanto tempo é que a concorrência vai demorar a recuperar desta tareia logística e financeira. Pode ser uma mudança de jogo absurda para os lados do Windows… Por isso, a Microsoft que se cuide.









