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Perder 1% de sono profundo pode aumentar o risco de demência

por Bruno Fonseca
17 de Maio, 2025
em Especiais
Tempo de leitura: 3 minutos de leitura
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perder 1% de sono profundo pode aumentar o risco de demência
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Sabia que perder apenas 1% de sono profundo por ano pode aumentar significativamente o risco de demência? Um estudo concluiu que adultos com mais de 60 anos apresentam 27% mais probabilidade de desenvolver demência por cada 1% de perda anual deste tipo específico de sono — também conhecido como sono de ondas lentas.

Perder 1% de sono profundo pode aumentar o risco de demência

O sono de ondas lentas é a terceira fase do ciclo de sono humano, que dura cerca de 90 minutos. Esta etapa prolonga-se normalmente entre 20 a 40 minutos. Considera-se a mais restauradora, uma vez que o ritmo cardíaco e a atividade cerebral abrandam, e a pressão arterial desce. É neste estado que o corpo repara os músculos e os ossos. Também fortalece o sistema imunitário e prepara o cérebro para aprender e reter novas informações.

Curiosamente, outro estudo recente revelou que pessoas com alterações cerebrais associadas ao Alzheimer conseguiram melhores resultados em testes de memória quando tinham maiores períodos de sono profundo.

descoberta ligação entre o mentol e a doença de alzheimer

A investigação foi conduzida por equipas da Austrália, Canadá e Estados Unidos, com base em dados de 346 participantes do Framingham Heart Study — um estudo de longa duração que monitoriza a saúde de várias gerações. Os participantes realizaram dois estudos de sono entre 1995 e 2003, com cerca de cinco anos de intervalo, e não tinham diagnóstico de demência até à data do segundo estudo. Foram depois acompanhados até 2018.

Durante os 17 anos de acompanhamento, foram identificados 52 casos de demência. Os investigadores observaram que o sono profundo tende a diminuir a partir dos 60 anos. Isto com uma redução mais acentuada entre os 75 e os 80 anos, estabilizando depois dessa idade. A análise mostrou que, por cada ponto percentual de diminuição anual no sono de ondas lentas, o risco de demência aumentava em 27%. Entretanto esse risco subia para 32% quando se tratava especificamente de doença de Alzheimer.

Outros fatores associados

Entretanto outros fatores associados a baixos níveis de sono profundo incluíam doenças cardiovasculares, o uso de medicamentos que afetam o sono e a presença do gene APOE ε4, ligado ao Alzheimer. Curiosamente, o estudo não encontrou ligação direta entre a perda de volume cerebral (nomeadamente no hipocampo) e a diminuição do sono profundo, mas sim com a predisposição genética.

prevenir o Alzheimer, cinco sinais na fala que podem indicar o risco de alzheimer

Apesar das associações evidenciadas, os autores alertam que este tipo de estudo não prova uma relação causal direta. Ou seja, ainda não se sabe se é a perda de sono profundo que causa demência, ou se os primeiros sinais de demência afetam o sono.

Enquanto a ciência continua a investigar, uma coisa é certa: dormir bem é essencial para a saúde cerebral e geral, sobretudo em idades mais avançadas. E há estratégias simples que pode adotar para melhorar a qualidade do sono profundo — algo que pode fazer toda a diferença no futuro.

Felizmente, há formas simples de aumentar a quantidade e a qualidade do sono profundo

Manter uma rotina de sono regular (deitar-se e acordar sempre à mesma hora). Também evitar ecrãs e luz azul nas horas antes de dormir. É igualmente importante praticar exercício físico durante o dia. Deve também reduzir o consumo de cafeína após o meio da tarde são estratégias que ajudam o corpo a entrar mais facilmente nas fases mais profundas do sono.

Técnicas de relaxamento, como a meditação ou a respiração profunda, também podem ser eficazes para induzir um sono mais restaurador. Dormir num ambiente silencioso, escuro e com uma temperatura confortável é outro fator-chave. Pequenas mudanças no estilo de vida podem, a longo prazo, trazer grandes benefícios para a saúde cerebral.

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Bruno Fonseca

Bruno Fonseca

Fundador da Leak, estreou-se no online em 1999 quando criou a CDRW.co.pt. Deu os primeiros passos no mundo da tecnologia com o Spectrum 48K e nunca mais largou os computadores. É viciado em telemóveis, tablets e gadgets.

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