Pensavas que a crise de memória ia aligeirar depois de alguns preços terem caído em vários mercados chave durante o mês de Março e Abril? Podes desde já tirar o cavalinho da chuva. Os preços voltaram a subir, e como é óbvio, depois de um ano em que muitas fabricantes tentaram aguentar os valores ao comprar toda a memória possível e imaginária aos “preços antigos”, a mama acabou. A realidade é que o stock de chips comprados em saldos não vai durar para sempre, e alguém vai ter de pagar o “extra”.
Esse alguém vais ser tu. Como sempre.
Depois de vários anos em que a Apple andou a aguentar o preço dos topo-de-gama nos 1499€, alguém vai ter de ter a coragem de ultrapassar essa barreira psicológica.
A questão agora é… O que vai acontecer a esse produto?
Vai correr bem? Ou vai ser um falhanço de magnitudes épicas?
Na verdade, este movimento vai servir como um barómetro para todo o mercado. Se a subida correr mal, as marcas vão pensar duas vezes antes de esticarem a corda, preferindo cortar nas margens ou (mais provável) nas especificações técnicas.
Mas, se correr bem e a malta continuar a correr para as lojas, podes ter a certeza que todas as outras fabricantes vão atrás e o novo “normal” passará a ser um rombo ainda maior na tua conta bancária.
O fim do “escudo” dos 1499€! Vai acontecer?
A verdade é que a Apple tem servido de teto para o mercado. Ao manter os modelos Pro Max nos 1499€, ela impediu que a Samsung, a Xiaomi ou a Oppo esticassem a corda para lá do razoável. Mas os números não mentem. O custo da memória RAM (LPDDR5X) e do armazenamento NAND subiu de forma absurda e, em alguns componentes específicos, a subida chegou a ultrapassar os 400%. Por isso, enquanto a “caridade” de Cupertino continua, a das outras empresas tem os dias contados.
Mas… “Já existem smartphones acima dos 1500€”
Verdade, existem, mas estão todos no lado dos dobráveis, e como deves saber, este mercado é um nicho que tem demorado a arrancar a sério. O volume de vendas continua, e deverá continuar a ficar no lado dos smartphones tradicionais, como é o caso do S26 Ultra ou iPhone 17 Pro Max.
Por isso, alguém vai ter de ser o “vilão” e ultrapassar o valor da Apple.
É estranho, é perigoso e parece até sem noção. Lançar um Android de topo mais caro que um iPhone parece ser sempre uma receita para o desastre.
Mas…
Tudo depende de ti… O consumidor!
No fundo, a culpa (ou a solução) é tua.
Da mesma forma que a Apple ou a Samsung lançam o “mesmo” smartphone todos os anos e tu continuas a comprar, elas só vão aumentar os preços se sentirem que o mercado (tu) aceita o abuso.
No fim do dia, se o consumidor continuar a validar estes aumentos, as fabricantes vão continuar a esticar a corda até ela partir. Ou seja, se não comprares, o jogo muda. Mais concretamente, se o stock começar a ganhar pó nas prateleiras, as marcas vão ser obrigadas a fazer o que mais odeiam: baixar as margens de lucro para te convencer a abrir a carteira.
O poder está sempre do teu lado. Mesmo que por vezes não pareça. Agora a questão é… Vais comprar ou vais ficar só a olhar?
Assinado por: Nuno Oliveira








