Afinal não somos só nós! Até os próprios executivos da Samsung têm de arcar com consequências. Ou seja, como a crise da memória está a chegar a cada vez mais produtos, alguns executivos da gigante Sul-Coreana foram proibidos de viajar em classe executiva.
Dito isto, quando até os executivos começam a viajar em classe económica, é sinal de que algo não está bem. Segundo novos relatos vindos da Coreia do Sul, a divisão mobile da Samsung implementou várias medidas de redução de custos. Uma delas é simples de explicar… Os executivos deixaram de poder viajar em business class.
A decisão surge numa altura em que o negócio dos smartphones da empresa está a sentir forte pressão devido ao aumento do preço da memória.
A crise da memória está a afetar o negócio mobile
A divisão responsável pelos smartphones da Samsung, conhecida como MX (Mobile eXperience), está a sentir dificuldades devido ao aumento dos custos de componentes essenciais.
Em particular, o preço da memória LPDDR5X, usada em equipamentos topo de gama como os Galaxy S, tem vindo a subir significativamente.
O problema é curioso porque a própria Samsung é uma das maiores produtoras de memória do mundo. Porém, dentro da estrutura da empresa, a divisão de semicondutores (Samsung DS) funciona quase como um fornecedor independente.
Na prática, isso significa que a divisão mobile nem sempre recebe condições especiais quando compra componentes internamente.
Executivos passam a viajar em classe económica
Perante esta pressão financeira, a divisão DX (Device Experience), que inclui o negócio mobile, decidiu aplicar várias medidas de contenção de custos.
Uma das mais simbólicas foi a decisão de proibir viagens em classe executiva.
Até agora, executivos da empresa que viajassem para o estrangeiro podiam utilizar business class, mesmo abaixo do nível de vice-presidente. Com as novas regras, todos os executivos passam a viajar em classe económica.
Pode parecer um detalhe, mas este tipo de medida costuma ser um sinal claro de que a empresa está a tentar reduzir despesas em várias frentes.
Há receio de prejuízos no início de 2026?
Segundo fontes do setor, existe preocupação interna de que a divisão mobile da Samsung possa apresentar resultados negativos no primeiro trimestre de 2026.
Assim, para tentar aliviar a pressão financeira, a empresa também estará a estudar alterações nas regras de reformas voluntárias, facilitando a saída de alguns colaboradores.
O lado irónico: a divisão de memória está a ganhar muito dinheiro!
Enquanto a divisão de smartphones tenta cortar custos, o negócio de memória da Samsung vive um momento completamente diferente. No quarto trimestre de 2025, a divisão de memória da empresa registou receitas de cerca de 37.1 biliões de won, o equivalente a aproximadamente 25.9 mil milhões de dólares.
Isto representa um crescimento anual de cerca de 62%, consolidando a Samsung como a maior fabricante mundial de memória.
Uma guerra interna dentro da própria Samsung?
Este contraste mostra bem a complexidade da estrutura da empresa.
Enquanto uma parte da Samsung lucra com o aumento do preço da memória, outra parte sofre diretamente com esse mesmo aumento. E neste momento, parece que quem está a pagar a conta é mesmo o lado dos smartphones.









