A Panasonic acaba de tomar uma decisão histórica, e não é exagero dizer isto. A marca japonesa já não vai fabricar os seus próprios televisores. A produção, distribuição e comercialização das TVs com o logótipo Panasonic passam agora para as mãos da chinesa Skyworth.
Na prática, isto marca o fim de uma era. Uma marca que durante décadas foi sinónimo de qualidade de imagem, especialmente no tempo das TVs plasmas, deixa de ter controlo direto sobre o produto com o seu nome.
O que muda exatamente?
Com este acordo, a Skyworth assume a produção, vendas e logística na América do Norte e na Europa. A Panasonic mantém-se ligada ao design, processamento de imagem e controlo de qualidade, áreas onde ainda quer afirmar que tem know-how diferenciado.
Ou seja, a engenharia continua japonesa, mas a produção passa totalmente para Shenzhen.
Mesmo assim, as duas empresas dizem que vão continuar a colaborar no desenvolvimento de novas OLED, incluindo modelos baseados nos painéis Tandem WOLED da LG Display, que prometem mais brilho e maior longevidade face aos OLED tradicionais.
O declínio já vinha de trás
Nos anos 2010, a Panasonic controlava mais de 40% do mercado global de TVs plasma, à frente de gigantes como Samsung e LG. Para muitos entusiastas de imagem, as TVs plasma da marca eram referência absoluta em pretos e movimento.
O problema é que o plasma era caro de produzir e consumia mais energia do que os LCD que começaram a dominar o mercado. Entretanto, a crise financeira de 2008 apertou margens e o negócio nunca recuperou verdadeiramente. Em 2014, a Panasonic fechou a produção de plasma e começou a encolher a divisão de televisores fora do Japão. Em 2016 saiu do mercado norte-americano. Por fim, em 2021 anunciou que toda a produção passaria a ser externalizada.
Curiosamente, em 2025, o presidente Yuki Kusumi chegou mesmo a admitir que a empresa estava preparada para vender o negócio das TVs se fosse necessário.
O que temos agora é uma solução intermédia. A marca mantém o nome e alguma influência técnica, mas livra-se dos custos pesados de fabrico.
E o que ganha a Skyworth?
A Skyworth já está entre os cinco maiores fabricantes mundiais de televisores, segundo dados da Omdia, mas a sua notoriedade no Ocidente ainda é limitada. Produzir televisores Panasonic abre portas em mercados onde o nome japonês ainda tem peso e reputação.
Para a Panasonic, é uma forma de continuar presente no segmento premium sem o risco financeiro associado a fábricas próprias.
O fim de uma era japonesa!
Este movimento também simboliza algo maior. Sharp, Toshiba, Hitachi e Pioneer já tinham praticamente abandonado a produção de televisores. A própria Sony vendeu uma participação maioritária do negócio Bravia à TCL.
Com a saída da Panasonic, deixa praticamente de existir produção direta de TVs por fabricantes japoneses.
Num mercado que o Japão ajudou a definir durante décadas, as marcas históricas transformaram-se em gestoras de design e marca enquanto a produção se concentra totalmente na China e na Coreia do Sul.
É… O novo normal. Mas, é também muito triste.










