Durante muito tempo, LCD foi uma palavra proibida cá em casa. Tudo tinha de ter um ecrã OLED, pelo menos dentro do possível. A diferença na qualidade de imagem, e até na estética do produto, é enorme.
Mas, depois da compra da minha primeira TV OLED, em 2019, muita coisa mudou. Ou seja, pela primeira vez em muito tempo, há uma tecnologia “LCD” que já não parece um compromisso. Chama-se mini-LED RGB, ou Micro RGB, e tem tudo para baralhar as contas no segmento premium.
Sou fiel ao OLED. Mas… O mini-LED RGB pisca o olho!
Quando falo em LCD, é mesmo importante sublinhar alguns detalhes.
Ou seja, não estamos a falar de painéis tradicionais com uma luz branca por trás e filtros a fazer milagres. Aqui cada pequeno LED do backlight tem vermelho, verde e azul próprios, o que permite iluminar cada zona do ecrã com a cor certa. Logo à partida, isto significa menos filtragem, mais eficiência, mais cor e, sobretudo, muito mais controlo.
Para quem sempre defendeu OLED por causa do contraste e dos pretos, isto é relevante. Isto porque o grande calcanhar de Aquiles dos LCD sempre foi o blooming, aquele efeito de halo à volta de objetos claros em fundos escuros. O controlo de luz dos mini-LED RGB promete reduzir isso de forma brutal, ao mesmo tempo que sobe o brilho a níveis que o OLED ainda tem dificuldade em acompanhar.
E sim, eu sei. OLED continua a desligar píxeis individualmente e isso é imbatível em teoria. Mas na prática, no meu dia a dia, já uso iluminação ambiente dinâmica que reforça o contraste percebido. Não preciso que cada cena escura seja um poço de tinta preta absoluta para ficar impressionado.
Sim, uma boa TV OLED tem pretos infinitos, um contraste absurdo, uniformidade quase perfeita. Mas mesmo aqui há pequenas coisas que podiam ser melhor. Banding em certos gradientes, especialmente em céus claros nos jogos da PS5, e alguma limitação na profundidade de cor em conteúdos muito comprimidos. Nada de dramático, mas quando começas a reparar, já não consegues deixar de ver.
É aqui que os mini-LED RGB começam a meter-se na cabeça.

Todos os fabricantes falam em cobertura de cor acima dos 100% do espaço HDR. Se isto se traduzir numa redução real de banding e em transições mais suaves, estamos a falar de um ganho prático, não apenas de números para marketing.
Há também outra realidade a bater à porta. Espaço e dinheiro. Não é garantido que a próxima casa onde vá viver aceite uma TV de 77 polegadas sem parecer uma montra da Worten. Se tiver de descer para 55 ou 65, o preço passa a contar muito mais.
E aqui os mini-LED RGB podem ter uma vantagem enorme.

Ao contrário do OLED, que continua caro de produzir, esta tecnologia está muito mais próxima do mini-LED tradicional. Ou seja, há margem para descer preços mais depressa, especialmente em tamanhos mais “normais”. Junta-se a isso um consumo energético potencialmente mais baixo e começa a ficar difícil ignorar.
A ideia de uma TV mais pequena, extremamente luminosa, com cores profundas, pretos quase ao nível do OLED e um preço mais simpático é perigosamente apelativa.
Sim, há cinco anos atrás, preferia beber ácido do que voltar a comprar um LCD. Hoje, com o Micro RGB a ganhar forma, já não tenho tanta certeza disso. E ainda bem. Porque tudo isto vai trazer uma nova camada de competitividade para o mercado.
Em suma, não estou a dizer que o OLED morreu. A tecnologia continua a reinar com um punho de ferro. Longe disso. Mas pela primeira vez em muito tempo, deixou de estar sozinho no topo. Quando isso acontece, quem ganha somos nós.

