O Natal sempre foi a época das luzes, das músicas nos centros comerciais e das casas cheias de gente. Mas também é, cada vez mais, a época favorita de quem vive de aproveitar distrações. Há mais dinheiro a circular, mais compras online, mais casas vazias durante dias e uma sensação geral de “estamos todos ocupados com outras coisas”. É precisamente aí que entram as novas formas de assalto no Natal: discretas, pouco óbvias e muitas vezes disfarçadas de normalidade.
Marcar casas e prédios
Uma das técnicas que mais tem crescido passa por marcar casas e prédios com pequenos sinais. Já não é só o clássico papel enfiado na porta. São autocolantes quase invisíveis na caixa do correio, marcas na campainha, sinais discretos no aro da porta. À primeira vista, parece só lixo visual. Mas, para quem anda a observar rotinas, pode indicar que aquela casa ficou vários dias sem mexer na correspondência, que ali vive alguém sozinho ou que é um prédio onde quase ninguém repara em nada.
Se vais passar o Natal fora e sabes que a casa vai ficar vazia, vale a pena pedir a alguém de confiança para ir esvaziando a caixa do correio e ficar atento a marcas estranhas no prédio antes e depois da viagem.
Outra “moda” natalícia é o falso estafeta
Como dezembro é o mês em que toda a gente recebe encomendas, torna-se muito mais fácil alguém aparecer à porta com uma caixa qualquer, um colete com ar vagamente oficial e uma desculpa qualquer: falta pagar portes, é preciso validar dados, é obrigatório confirmar informação bancária por MB WAY. O objectivo pode ser entrar em casa, ver o interior, perceber quem vive ali ou, pura e simplesmente, sacar dados do cartão. A regra aqui é simples: se não estavas à espera de nada, desconfia. Não pagues portes surpresa à porta, não dês dados bancários a desconhecidos e, em caso de dúvida, fecha a porta e liga tu para a transportadora pelos contactos oficiais, não pelo número que o “estafeta” te mostra.
Atenção aos parques dos centros comerciais e supermercados
Os parques dos centros comerciais e supermercados também são um cenário perfeito para abordagens discretas. O carro está carregado de sacos, estás com frio, cansado, com pressa de ir embora. Um toque ligeiro no pára-choques, alguém a dizer que tens um pneu a deitar ar, um desconhecido a bater no vidro a avisar que deixaste qualquer coisa em cima do tejadilho.
Enquanto sais do carro, te viras ou abres a mala, outra pessoa pode aproveitar o lado oposto para abrir uma porta, pegar numa mala, numa mochila ou em sacos mais valiosos e desaparecer no meio dos carros. Pequenos segundos chegam. Trancar sempre o carro antes de sair, manter carteira e telemóvel contigo e olhar primeiro à volta antes de te baixares são gestos simples que fazem diferença.
Depois há a falsa solidariedade
O Natal é a altura das rifas, dos cabazes, das campanhas porta a porta. No meio de gente séria e associações legítimas, surgem sempre oportunistas com histórias perfeitas: causas que ninguém consegue recusar, urgências emocionais, pedidos para entrar “só um minuto” para explicar melhor ou usar a casa de banho. Uma porta aberta no Natal, quando a casa está cheia de prendas, carteiras espalhadas e telemóveis em cima de móveis, é um convite fácil. A melhor forma de ajudar continua a ser através de canais oficiais: IBAN da instituição, supermercados, campanhas conhecidas. Não te torna menos solidário dizer “não” a visitas inesperadas.
E depois há a montra silenciosa: as redes sociais. Em dezembro enchemos o Instagram e o Facebook de árvores de Natal carregadas, TVs novas na sala, consolas, gadgets, vídeos da família a caminho “lá para cima” ou “lá para baixo” e legendas do género “só voltamos dia 27”. Para quem anda atento, isto é mais informativo do que qualquer autocolante na porta. Fica a saber que tens coisas valiosas, que a casa vai estar vazia e exatamente em que dias. Não é preciso desaparecer da internet. No entanto ajuda publicar menos em tempo real, evitar mostrar a casa toda e guardar para depois alguns detalhes da viagem.
No fim, o Natal continua a ser uma época bonita. Mas, entre tanta pressa, não custa nada trocar um bocadinho de ingenuidade por atenção. Repara em marcas novas no prédio, olha duas vezes para abordagens estranhas, pensa antes de transformar a tua casa num catálogo público.









