Temos de ser honestos, não foi, de todo, uma morte repentina. Na verdade, se tens acompanhado o que tem acontecido ao longo dos últimos anos, só existiam dois caminhos… Uma grande aposta já na próxima geração, para dar a volta à situação, que diga-se de passagem eu pensei ser possível. Ou então… Mudar completamente de estratégia ao mesmo tempo que se dilui a marca.
Dito tudo isto, depois da saída de Phil Spencer e de Sarah Bond da liderança da marca, com a entrada de uma executiva ligada ao mundo da IA para comandar o projeto, muita gente começou a dizer aquilo que já sussurrava há meses.
A Xbox, enquanto marca de consola tradicional, pode estar oficialmente morta.
O princípio do fim começou com a Activision?

Se for preciso escolher um momento simbólico, ele tem nome e um valor absurdo à mistura. 70 mil milhões de dólares. Sim, na altura, a compra da Activision Blizzard foi vista como um golpe de força. Call of Duty, Warcraft, Diablo. Um império inteiro nas mãos da Microsoft.
Mas essa aquisição acabou por também mudar tudo, e de facto de forma extremamente rápida.
Isto porque, a Xbox deixou de ser apenas uma divisão de consolas. Passou a ser um mega publisher com dezenas de estúdios, milhares de funcionários e uma pressão absurda para justificar o investimento. Uma justificação que tinha de acontecer rapidamente, e esse tipo de pressão… Pode ser letal.
Quando uma marca de consolas deixa de querer vender consolas
Hoje em dia, não precisas de uma Xbox para jogar jogos Xbox. Podes jogar no PC. Podes jogar na cloud a partir do telemóvel. Se quiseres, podes pagar apenas o Game Pass e nunca comprar um jogo.
Tudo isto faz sentido numa lógica de ecossistema, e acredito que é muito provavelmente o futuro dos jogos. Mas há um problema. Quando uma marca de consolas deixa de insistir na venda da sua própria consola, a identidade começa a diluir-se.
A guerra das consolas acabou? É difícil negar, especialmente quando os jogos Xbox aparecem nas consolas rivais.
Halo na PlayStation foi a bandeira vermelha que meteu o carro fora da corrida
Houve um momento que muitos consideram impensável há uns anos. Halo a caminho da PlayStation.
Depois de Sea of Thieves e outros títulos menores, trazer uma das maiores bandeiras da marca para a consola rival foi visto como o sinal definitivo de que a estratégia tinha mudado para sempre.
Curiosamente, phil Spencer nunca promoveu essa decisão com entusiasmo. E isso também disse muito sobre o que estava a acontecer.
E agora entra a IA
Enquanto tudo isto acontecia, a Microsoft investia milhares de milhões em inteligência artificial. Copilot, centros de dados, infraestrutura cloud.
A Xbox passou de ativo estratégico a projeto caro com retorno limitado.
Agora, com uma nova liderança vinda do mundo da IA, sem histórico na indústria de videojogos, a leitura que muitos fazem é clara.
A prioridade deixou de ser a consola. Ficando hoje menos claro se a Xbox Next vai mesmo existir. Sim, existia ambição, e é inegável que também existem contratos assinados com a AMD. Mas, agora que a crise de memória é uma gigante pedra no passado, pode ser a desculpa perfeita para dizer… Não.
O que sobra?
Em suma, Game Pass fica e cresce. Os jogos vão começar a aparecer em todo o lado, e a consola Xbox pode não desaparecer já, mas vai aproximar-se, e muito, daquilo que é um PC. Ou seja, pode começar a não fazer sentido comparar uma Xbox com uma PlayStation ou uma Nintendo Switch.






