A Microsoft voltou a agitar o mundo do gaming depois de nomear Asha Sharma, antiga responsável de produtos CoreAI, como nova líder da divisão Xbox, substituindo o mítico Phil Spencer. A decisão surpreendeu alguns, mas foi completamente normal para outros.
Há muito tempo que tudo apontava para um Phil Spencer sem grande poder de decisão. As coisas correram mal na última geração, e a aquisição da Activision por parte da Microsoft meteu um tipo de pressão que nunca existiu em cima do departamente de jogos da gigante Norte-Americana.
Ainda assim, o que realmente incendiou a discussão foi a reação de um nome histórico.
Seamus Blackley, um dos criadores da primeira Xbox em 2001, não teve papas na língua. Para ele, a marca está a ser “sunsetted”, ou seja, empurrada lentamente para o fim, enquanto a empresa se transforma numa máquina totalmente focada em inteligência artificial.
“Cuidados paliativos” para a Xbox?
Em entrevista ao GamesBeat, Blackley foi ainda mais longe. Disse que a nova CEO da Xbox pode estar a ser colocada no cargo como uma espécie de médica de cuidados paliativos. Ou seja, alguém cuja função seria acompanhar a marca até ao seu fim natural.
Natural, visto que Sharma vem do mundo da IA, não do gaming. Aliás, a Microsoft criou uma conta para a nova CEO, que é obviamente falsa, apenas para passar a imagem de que é uma pessoa que entende jogos. Isso, para muitos fãs, levanta uma questão óbvia… Estará a Xbox a deixar de ser uma marca centrada nos jogos para passar a ser mais um veículo da estratégia de IA da Microsoft?
A Xbox vai tornar-se “AI first”?
Desde que Satya Nadella assumiu a liderança da Microsoft, a aposta na IA tornou-se transversal a praticamente todas as áreas da empresa. Office, Windows, Azure, tudo passou a integrar inteligência artificial de forma agressiva. Agora, o gaming parece ser a próxima peça do puzzle.
Blackley argumenta que esta abordagem abstrai o problema. Em vez de pensar nos jogos como obras criativas, com identidade própria, passa-se a vê-los como mais um produto onde a IA pode ser aplicada e otimizada.
Para quem defende o gaming como arte, esta mudança é desconfortável. A criação de jogos sempre foi um equilíbrio entre visão autoral, direção criativa e tecnologia. Uma abordagem excessivamente orientada por IA pode colidir com esse modelo.
A reação oficial?
A própria Asha Sharma já tentou acalmar os ânimos, garantindo que não haverá “AI slop sem alma” nos jogos da Xbox e afirmando que não tolera má utilização de inteligência artificial. Porém, ao mesmo tempo, deixou claro que a IA já faz parte do gaming há anos e que continuará a fazer.
É difícil ignorar que a Microsoft investiu milhares de milhões neste setor. Depois de um investimento desta escala, seria ingénuo achar que a empresa não vai tentar integrar IA em todas as divisões, incluindo a Xbox.
E o futuro?
A próxima geração da Xbox deverá chegar em 2027. É praticamente certo que a IA terá um papel relevante na consola, seja na criação de conteúdos, na otimização de desempenho ou na personalização da experiência.
A questão não é se a IA vai estar presente. A questão é até que ponto vai moldar a identidade da marca.
Para alguns, é evolução inevitável. Para outros, é o princípio do fim de uma Xbox pensada primeiro para jogadores e só depois para executivos.









