Alerta: um simples papel faz o teu telemóvel desaparecer da mesa

Estás sentado na esplanada, a aproveitar o sol. O teu telemóvel está em cima da mesa, mesmo à frente do teu nariz. Senteste-te seguro. Afinal, ninguém seria louco o suficiente para roubar algo que está a 30 centímetros das tuas mãos, certo? Errado. É precisamente com essa confiança que os ladrões contam. Há um novo truque de magia a circular nos cafés e restaurantes de norte a sul do país. Não envolve violência, não envolve correrias e, na maioria das vezes, a vítima até agradece ao ladrão antes de perceber que acabou de ficar sem centenas de euros. O que é certo é que o telemóvel vai desaparecer.

Telemóvel a desaparecer? O segredo chama-se “A Muleta”

No mundo dos carteiristas, qualquer objeto usado para tapar a visão da vítima chama-se “muleta”. Neste golpe específico, a muleta é desarmante e banal: um jornal, um mapa turístico, um menu de restaurante ou uma petição para assinar.

O esquema é uma coreografia ensaiada ao milímetro:

O ladrão aproxima-se da tua mesa. Muitas vezes finge ser um turista perdido, um angariador de assinaturas para uma causa de caridade (frequentemente fingindo ser surdo-mudo) ou alguém a vender algo.

Ele coloca o papel (a “muleta”) em cima da mesa, cobrindo “sem querer” o teu telemóvel.

Enquanto aponta para o papel e te pede para ler ou assinar, a tua atenção foca-se no texto ou na cara dele.

Por baixo do papel, a mão dele agarra o telemóvel. O aparelho adere ao papel ou é arrastado discretamente.

Ele agradece, levanta o papel (e o telemóvel escondido por baixo dele) e vai-se embora calmamente.

Tudo isto demora menos de 10 segundos. O teu cérebro regista apenas “alguém chato com um papel”, e não “alguém acabou de levar o meu telemóvel”.

Porque é que caímos nisto? (A Falácia da Mesa)

Este roubo é genial porque explora uma falha social. Nós somos educados para ser polidos. Quando alguém nos põe um papel à frente, o nosso instinto é olhar para o papel, não para o que está por baixo dele.

Além disso, temos a “Falácia da Mesa”: achamos que a mesa do café é o nosso território privado e seguro. Relaxamos a postura, bebemos o café e baixamos a guarda.

Onde o perigo é maior

Embora aconteça em qualquer lado, os “pontos quentes” são óbvios:

Esplanadas de rua: Onde a rota de fuga é imediata.

Praças de Alimentação: Onde o barulho e a confusão camuflam a aproximação.

Restaurantes Turísticos: Onde os clientes estão distraídos com a vista ou a conversa.

O prejuízo vai muito além do aparelho

Antigamente, roubavam-te um telemóvel e perdias o aparelho e os contactos. Hoje, perdem-te a vida digital. Assim se o ladrão conseguir desbloquear o telemóvel (ou se apanhar o código vendo-te a digitar antes do roubo), tem acesso ao MB WAY, às apps do banco, às tuas fotos privadas e ao teu e-mail. Um furto “silencioso” pode transformar-se num pesadelo financeiro em minutos.

Como não ser o próximo alvo deste truque de magia

A regra é simples e inegociável: A mesa não é um cofre.

Assim se não estás a usar o telemóvel, ele deve estar no bolso (de preferência da frente) ou dentro da mala fechada.

Se tens mesmo de ter o telemóvel na mesa, mantém sempre uma mão em cima dele ou o braço encostado. O contacto físico é o melhor alarme.

Entretanto se alguém estranho se aproximar da tua mesa com papéis, panfletos ou jornais, agarra imediatamente o telemóvel. Não tenhas vergonha de parecer desconfiado. É o teu património que está ali.

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Ana Oliveira
Ana Oliveirahttp://leak
Descobriu a paixão pela tecnologia entre aulas de engenharia e fóruns de gadgets, onde passava horas a debater especificações e novidades. Gosta de explicar tecnologia de forma simples, direta e prática como se estivesse a falar com amigos. É fascinada por tudo o que envolva inovação, privacidade digital e o futuro dos smartphones. Quando não está a escrever, está a testar apps, a trocar de launcher ou a explorar menus escondidos no Android.

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