A ideia de ver um espetáculo através do ecrã de um smartphone já não é nova, mas está a atingir um ponto de saturação que me faz questionar… Será que perdemos completamente a noção do que é realmente viver a nossa vida? Quantas vezes foste a um concerto, e deste por ti a filmar uma qualquer música, a pensar que ia ficar brutal, para depois nunca mais ligares à gravação?
A questão é, gravaste, e se calhar até vais ter uma histórias fixes para o Facebook e Instagram. Mas, acabaste por perder o espetáculo ao vivo, porque viste tudo a partir do ecrã do teu telemóvel, em vez de dar atenção ao que estava a acontecer à tua frente.
Telemóveis banidos de todos os espetáculos? O “viver o momento” está a morrer!

Marca a Leak como fonte favorita na Pesquisa Google e recebe mais artigos nossos no Discover.
Portanto, se acompanhas a Leak, sabes que sou o primeiro a defender a tecnologia, e de facto também gravo e tiro fotos em concertos. Aliás, por vezes até aproveito concertos para testar telemóveis em condições pouco favoráveis. Mas, há limites que estão a ser ultrapassados. Recentemente, dados revelaram um aumento brutal de 567% na procura por experiências livres de telemóveis. Ou seja, as pessoas querem (cada vez mais) momentos reais.
Aqui não falamos apenas de concertos. Estamos a falar de um movimento global que quer desligar a ficha em todo o lado, desde clubes em Berlim até reservas naturais ou bares de jazz onde a fotografia é expressamente proibida.
Documentar ou Viver? Eis a questão.
O problema é que a necessidade de “provar” que estivemos lá tornou-se mais importante do que a experiência em si. É o chamado social currency. Vemos isto em todo o lado! Cafés da moda, pontos turísticos ou monumentos, onde a malta se acotovela para tirar a foto perfeita enquanto ignora o que está à volta.
Alguns artistas já começaram a tomar medidas drásticas, como obrigar os fãs a tapar as lentes com autocolantes ou a deixar os aparelhos em bolsas seladas. E sabem que mais? O resultado é incrível. Sem a barreira do ecrã, a ligação entre quem está no palco e quem está na plateia volta a ser o que era antes da febre das redes sociais.
Telemóveis banidos de todos os espetáculos?
Eu percebo o outro lado. O proibir faz-me comichão.
Além disso, todos queremos guardar uma recordação de um aniversário ou de um momento especial. Mas será que precisamos de gravar 20 minutos de um concerto com uma qualidade de som miserável que nunca mais vamos ouvir? Ou de estragar a visibilidade de quem está atrás de nós com um ecrã brilhante a meio de uma peça de teatro?
A tecnologia devia servir para melhorar a nossa vida, não para substituir a nossa memória ocular por um ficheiro comprimido no Instagram. Talvez esteja na altura de aceitarmos que há sítios onde o smartphone não é convidado.
O que achas disto? Estarias disposto a ir a um evento onde fosses obrigado a desligar o telemóvel à entrada ou achas que isso é uma limitação da tua liberdade? Partilha connosco a tua opinião na caixa de comentários em baixo.





