Ainda sou do tempo dos Pentium 2 e 3, e da corrida aos GHz com os Pentium 4, onde a capacidade de um processador estava quase sempre associada à sua velocidade de relógio. Claro que isso já não é realidade. Há coisas muito mais importantes que os GHz. Mas… Ainda assim… Ver um processador mobile a chegar aos 5.0 GHz, é notável!
Aliás, se achavas que os chips para smartphones já estavam no limite, prepara-te. Novos rumores indicam que a Qualcomm está a testar o Snapdragon 8 Elite Gen 6 Pro com clocks mínimos de 5.00GHz nos núcleos de desempenho. Sim, leste bem. Cinco gigahertz num SoC de smartphone.
Vai ser um SoC super premium, apenas ao alcance dos mais endinheirados. Aliás, acredito que as fabricantes vão usar este processador como desculpa para encarecer smartphones. Ainda assim, não deixa de ser um salto técnico incrível.
Porém, também levanta uma questão óbvia. Como é que se controla o calor?
O problema já não é a produção. É a temperatura

Os SoC modernos já beneficiam de câmaras de vapor e processos de produção avançados, mas isso começa a não chegar. Ou seja, mesmo com a transição para o processo de 2nm N2P da TSMC, o limite térmico continua a existir.
O Snapdragon 8 Elite Gen 5 já mostrou isso. Frequências mais altas trazem ganhos de desempenho, mas também aquecimento mais rápido e throttling agressivo. Tens ganhos de performance, mas rapidamente desaparecem porque a temperatura sobe como nunca.
É aqui que entra a parte mais interessante deste rumor.
A solução pode vir… da Samsung
Segundo informações vindas da China, a Qualcomm poderá recorrer à tecnologia Heat Pass Block (HPB) da Samsung, a mesma usada no Exynos 2600.
Em termos simples, o HPB é um dissipador de calor em cobre que está em contacto direto com o die do chip, reduzindo a resistência térmica. A Samsung fala numa melhoria de cerca de 16% na dissipação de calor, o que pode ser exatamente o que falta para manter clocks muito elevados sem estrangular o desempenho ao fim de poucos segundos.
Com esta abordagem, os testes iniciais apontam para frequências entre 5.50GHz e 6.00GHz, sendo que os 5.00GHz seriam o valor mínimo garantido.
O que muda face à geração atual?
Para teres uma referência:
- Snapdragon 8 Elite Gen 5: até 4.61GHz
- Versão “for Galaxy”: até 4.74GHz
- Snapdragon 8 Elite Gen 6 Pro: mínimo de 5.00GHz (segundo o rumor)
Além disso, fala-se em suporte para LPDDR6 e armazenamento UFS 5.0, o que indica que este chip não quer apenas ganhar em benchmarks, mas também preparar o terreno para a próxima vaga de hardware topo de gama em 2026.
Isto faz sentido num smartphone?
Depende do ponto de vista.
Em termos técnicos, é impressionante. Mas, em termos práticos, levanta dúvidas.
Frequências deste nível vão exigir sistemas de arrefecimento cada vez mais complexos, chassis maiores ou soluções criativas que nem todas as marcas estarão dispostas a implementar.
Soluções que vão ser caras de desenvolver, e também de implementar.
Ah, e claro… Depois há a comparação inevitável. A Apple continua a apostar mais em eficiência e arquitetura do que em clocks absurdos. É pouco provável que um A20 ou A20 Pro chegue perto dos 5.00GHz, mas também não é isso que define a experiência real de utilização.
Conclusão
Se este rumor se confirmar, o Snapdragon 8 Elite Gen 6 Pro vai marcar um novo patamar de desempenho bruto no mundo Android. Mas também reforça uma tendência preocupante.
Mais potência é sempre apelativa. A questão é saber a que custo, especialmente em autonomia, aquecimento e consistência de desempenho no dia a dia.

