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cinema, pirataria

Pirataria pode ajudar a vender bilhetes. Sim, leste bem!

Nuno Miguel Oliveira por Nuno Miguel Oliveira
25 de Janeiro, 2026
em Streaming & TV
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A pirataria é, há décadas, o bode expiatório favorito de Hollywood. Sempre que as receitas falham, a culpa é dos “downloads ilegais”, dos torrents e do streaming pirata. Milhões perdidos, salas vazias, indústria em risco. A narrativa é conhecida. Aliás, é tão conhecida, que também começa a ser utilizada no mundo do IPTV.

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Curiosamente, se o cinema anda caro e sem qualidade, no lado do desporto Premium, nomeadamente no lado mais concreto do futebol, podemos dizer que a coisa está ainda pior. Isto com preços obscenos, e talvez pior que isso, pouca vontade de mudar as regras do jogo para tentar convencer os consumidores a optar pelo serviço legal.

Dito tudo isto, pelo menos no lado do cinema, o problema é que a realidade pode ser bem menos linear.

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Pirataria pode ajudar a vender bilhetes. Sim, leste bem!

Pirataria, pirata

Portanto, um novo estudo académico vem baralhar completamente esta conversa, e os resultados não vão agradar a muita gente.

Ou seja, um estudo conduzido por investigadores da Monash University e da San Jose State University, analisou dados de bilheteira nos EUA entre 2004 e 2020, cruzando-os com o aparecimento de cópias pirata de alta qualidade no The Pirate Bay.

A conclusão é simples, e também bastante interessante.

Isto porque, em alguns casos, a pirataria ajuda a vender bilhetes. Além disso, filmes espetáculo não reagem à pirataria da mesma forma que filmes “de história”

O estudo faz uma distinção clara entre dois tipos de filmes.

Ou seja, por um lado, os chamados filmes espetáculo. Blockbusters, ação, super heróis, efeitos visuais, som envolvente. Filmes pensados para uma sala de cinema, onde a experiência faz parte do produto. Aqui entram facilmente produções da Marvel, por exemplo.

Do outro lado, os filmes focados na narrativa. Dramas, comédias, romances. Filmes onde o valor está no guião, nos diálogos e nas interpretações, e que funcionam quase tão bem num ecrã pequeno como numa sala escura.

E é aqui que a pirataria tem efeitos completamente opostos.

Segundo os dados analisados, quando surgem cópias pirata de alta qualidade:

  • Filmes espetáculo registam um aumento médio de 24.4% na receita semanal de bilheteira
  • Filmes focados na história sofrem uma quebra média de 26.6%

Ou seja, no caso dos blockbusters, ver o filme pirateado pode funcionar como uma espécie de “demonstração”. A pessoa percebe que aquilo perde impacto fora do cinema e acaba por comprar bilhete. Já num drama ou numa comédia, se a história já foi vista em casa, dificilmente há motivo para pagar outra vez.

É algo que faz todo o sentido. Além disso, prova que nem toda a pirataria tem o mesmo impacto

Há outro detalhe importante que o estudo deixa bem claro.

Este efeito positivo só acontece com cópias de alta qualidade, como BluRay ou HD. As versões gravadas numa sala de cinema continuam a ser prejudiciais para todos os géneros.

De forma consistente, cópias de baixa qualidade estiveram associadas a quedas de cerca de 24% nas receitas de bilheteira, independentemente do tipo de filme.

O problema pode não ser a pirataria, mas o produto!

A leitura mais interessante deste estudo não é que a pirataria “seja boa”. Não é isso que está em causa.

O que fica claro é que a pirataria expõe um problema estrutural. Quando a experiência de cinema é realmente superior, o público continua disposto a pagar. Quando não é, qualquer alternativa serve.

Talvez por isso se veja cada vez mais investimento em salas premium, som imersivo, eventos especiais e experiências diferenciadas. Não para combater a pirataria com processos judiciais, mas para tornar o cinema algo que não se replica em casa.

Uma experiência única, onde faça sentido pagar o bilhete.

Conclusão

A pirataria não vai desaparecer. Nunca desapareceu.

Este estudo mostra que, em vez de ser sempre um inimigo direto das receitas, pode funcionar como publicidade involuntária para certos tipos de filmes. Especialmente aqueles que vivem da escala, do impacto visual e da experiência coletiva.

No final do dia, o verdadeiro problema pode não ser o ficheiro pirateado. Talvez seja vender bilhetes caros para experiências que já não parecem especiais.

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Nuno Miguel Oliveira

Nuno Miguel Oliveira

Desde muito novo que me interessei por computadores e tecnologia no geral, fui sempre aquele membro da família que servia como técnico ou reparador de tudo e alguma coisa (de borla). Agora tenho acesso a tudo o que é novo e incrível neste mundo 'tech'. Valeu a pena!

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