Smartphones vendidos na Europa têm baterias mais pequenas?

Se tens acompanhado os lançamentos de smartphones na China, já reparaste no padrão. Baterias de 6.000, 7.000 mAh ou mais começam a ser normais, até em modelos relativamente compactos.

Mas, depois olhas para a versão europeia do mesmo equipamento e… surpresa. A bateria encolheu. Às vezes bastante. Isto não é por acaso. Nem é porque os fabricantes “não conseguem”. É porque não querem, ou melhor, porque não lhes compensa lutar contra a burocracia.

O limite invisível que manda na bateria do teu smartphone

Hand is holding a mobile phone displaying 0% battery and low battery warning symbol, while a white charger cable is plugged in, indicating the device is charging

Na Europa existe uma regra pouco falada, mas com impacto direto no que chega às lojas. O Acordo Europeu relativo ao Transporte Internacional de Mercadorias Perigosas por Estrada define que células de bateria acima de 20Wh têm de ser tratadas como mercadoria perigosa.

Em linguagem simples, acima desse valor o transporte fica mais caro, mais complexo e limitado a poucas transportadoras. Para um smartphone típico, 20Wh corresponde a cerca de 5.200mAh, dependendo da voltagem usada.

Resultado? Sempre que um fabricante quer vender um smartphone na Europa sem dores de cabeça logísticas, tem de garantir que a bateria não passa esse limite. É por isso que muitos modelos chegam cá com menos capacidade do que na China.

“Não podiam contornar isso?”

Podiam. Tecnicamente, a solução é simples. Usar baterias com várias células em vez de uma só. Desde que cada célula individual fique abaixo dos 20Wh, o conjunto pode ter uma capacidade bem maior.

É exatamente assim que funcionam portáteis, tablets e consolas portáteis. O problema é que, segundo marcas como a Vivo, isso implica mais espaço interno, mais espessura e mais peso. Ou seja, um smartphone menos elegante, menos fino e menos apelativo na montra de uma loja.

Há outro detalhe importante. Europa e Estados Unidos, juntos, continuam a ser mercados mais pequenos do que a China. Criar uma linha de produção específica só para estes mercados, com chassis diferentes e baterias multi-célula, não compensa financeiramente.

A solução “criativa” que já está a ser usada

Alguns fabricantes optam por uma abordagem mais discreta. Mantêm fisicamente a mesma bateria, mas reduzem a voltagem para cumprir o limite legal. O resultado prático é uma capacidade anunciada mais baixa.

O Vivo X200 Pro é um bom exemplo. Em grande parte do mundo tem uma bateria de 6.000mAh. Na Alemanha e na Áustria, desce para 5.200mAh. O hardware é praticamente o mesmo, mas o número muda para ficar dentro das regras.

Importar resolve? Nem por isso

À primeira vista, importar um smartphone chinês pode parecer a solução perfeita. Mais bateria, mais autonomia, problema resolvido. Na prática, não é bem assim.

Muitos destes equipamentos não estão corretamente classificados para transporte, o que torna o envio tecnicamente ilegal. Além disso, smartphones com baterias acima de 20Wh costumam ser recusados em reparações, programas de retoma ou garantias oficiais. Quando algo corre mal, ficas sozinho.

E o futuro? Não esperes milagres tão cedo!

A indústria já anda a pressionar para uma mudança na legislação, mas nada aponta para alterações antes de 2027. Mesmo aí, não existe qualquer plano concreto para rever o limite dos 20Wh.

No fundo, quando compras um smartphone topo de gama na Europa com uma bateria claramente inferior à versão chinesa, não é falta de tecnologia. É burocracia, custos e decisões.

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Nuno Miguel Oliveira
Nuno Miguel Oliveirahttps://www.facebook.com/theGeekDomz/
Desde muito novo que me interessei por computadores e tecnologia no geral, fui sempre aquele membro da família que servia como técnico ou reparador de tudo e alguma coisa (de borla). Agora tenho acesso a tudo o que é novo e incrível neste mundo 'tech'. Valeu a pena!

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