Durante muito tempo, olhar para a frequência de um chip num smartphone era quase um detalhe técnico para entusiastas. Não era por aí que se aferia a performance e, de facto, continua a não ser. Mas… a corrida voltou a aquecer!
Mais concretamente, ao que tudo indica, 2026 pode ser o ano em que começamos a ver SoCs mobile a tocar nos 5GHz. Sim, num telemóvel.
A TSMC continua a carregar a indústria às costas?
Se há uma empresa que continua a mandar no progresso do mundo mobile, essa empresa é a TSMC.
Assim, Apple, Qualcomm e MediaTek continuam a beneficiar de uma vantagem que, nesta altura do campeonato, já nem vale a pena tentar esconder. Ou seja, quem tem acesso aos processos mais avançados da gigante taiwanesa consegue fazer chips mais rápidos, mais eficientes e muito mais competitivos.
É precisamente por isso que começamos a ouvir falar de frequências cada vez mais absurdas em smartphones. O Snapdragon 8 Elite Gen 5 já anda nos 4.61GHz, e os rumores à volta da próxima geração apontam para algo ainda mais agressivo. O mesmo vale para a MediaTek, que também parece preparada para entrar nesta nova fase da guerra pelo desempenho.
Os 5GHz estão mesmo a chegar?
Ao que tudo indica, sim.
Ainda não como padrão absoluto em toda a indústria, mas tudo aponta para que os próximos chips topo de gama da Qualcomm e da MediaTek se aproximem dessa barreira simbólica. A Apple também continua a subir de forma consistente, embora com uma abordagem diferente e normalmente mais focada no equilíbrio do que em números para headline.
Na prática, isto significa uma coisa simples… o desempenho dos smartphones continua a crescer a um ritmo que, há uns anos, parecia quase exagerado. E não falamos apenas de benchmarks. Falamos de ganhos reais em tarefas pesadas, inteligência artificial local, fotografia computacional, multitarefa e jogos.
Huawei? Infelizmente, a SMIC não consegue acompanhar este ritmo
O grande entrave está aqui. A SMIC continua limitada a processos muito menos avançados, e isso impede a Huawei de entrar na mesma liga. Sem acesso às máquinas EUV mais modernas, a fabricante chinesa continua a trabalhar com tecnologia mais antiga, o que afeta diretamente o desempenho, a eficiência e a margem para aumentar frequências.
Fala-se muito sobre os avanços chineses nesta área e até sobre protótipos de equipamento próprio, mas entre ter um protótipo e ter produção em massa vai uma distância brutal. E, nesta indústria, perder tempo é perder mercado.
Claro que há um limite. A termodinâmica não perdoa!
Dito isto, chegar perto dos 5GHz num smartphone não significa que tudo seja simples. Aliás, está muito longe disso. Quanto mais sobe a frequência, mais difícil fica controlar temperaturas, consumo energético e throttling.
É aqui que entra a outra metade da história. Não basta fazer chips mais rápidos. Também é preciso arrefecê-los de forma minimamente competente. Por isso, vamos continuar a ver câmaras de vapor maiores, sistemas térmicos mais elaborados e até soluções mais criativas em alguns equipamentos.









