Ofereceram-te uma senha rápida na Loja do Cidadão? Cuidado!

O cenário é-te familiar: estás há uma hora numa fila interminável nos CTT ou na Loja do Cidadão, a olhar para o telemóvel e a bufar de impaciência. De repente, alguém aproxima-se com um ar prestável e diz: “olhe, tenho aqui uma senha prioritária na loja do Cidadão que não vou usar. Quer? Custa só um euro.” ou “Posso colocá-lo na lista de espera rápida, só preciso de confirmar uns dados no tablet.” Parece a salvação do teu dia, certo? Errado. É a mais recente burla a circular em Portugal e o objetivo pode ir muito além de te roubar umas moedas.

Como funciona a senha rápida na Loja do Cidadão

Os burlões adaptaram-se. Sabem que os serviços públicos estão caóticos e usam o teu cansaço como arma. O esquema opera de duas formas principais:

A Venda da Ilusão: O burlão imprime senhas em casa com logótipos quase idênticos aos oficiais (CTT, Segurança Social, etc.). Vende-te o papel por 1€ ou 2€. Tu pagas, todo contente, e quando chegas ao balcão ou tentas validar o QR Code, percebes que o número não existe. Perdeste dinheiro e o teu lugar na fila.

O Falso Funcionário (O mais perigoso): Alguém com uma postura “oficial”, muitas vezes com um tablet ou uma prancheta, aborda-te na fila exterior. Diz que está a adiantar serviço e pede para “confirmar dados” para te dar uma senha. Pede o teu Nome, NIF, Morada e Telefone. Tu dás. Ele vai embora. Nunca mais o ves.

O verdadeiro perigo não é o euro que perdeste

Se o esquema fosse apenas vender papéis inúteis, seria mau, mas não catastrófico. O problema real está na recolha de dados.

Ao entregares o teus dados pessoais a um estranho na rua (mesmo que pareça credível), estás a entregar a chave da tua vida digital. Com o teu NIF e telemóvel, estas redes organizadas podem:

  • Iniciar contratos em teu nome.
  • Lançar ataques de phishing personalizados (vão enviar-te mensagens a fingir que são do banco ou da autoridade tributária, e como têm os teus dados, tu acreditas).
  • Tentar recuperar passwords de serviços online.

Por que caímos nisto?

Entretanto a psicologia da burla é simples: Urgência + Autoridade. Assim estamos tão desesperados para sair dali que ignoramos os sinais de alerta. Vemos um logótipo num papel ou alguém com um tablet e o nosso cérebro assume: “É oficial”.

Regras de Ouro para não seres a próxima vítima

Para te protegeres, tens de ser desconfiado por natureza. Segue este manual de sobrevivência nas filas:

Senhas só nas máquinas: A única senha válida sai da máquina oficial (o quiosque/totem) dentro do estabelecimento ou da App oficial (como a SigaApp ou CTT). Papéis vindos de mãos alheias são lixo.

Ninguém cobra por vez: Nenhum serviço público ou CTT cobra para te dar uma senha ou prioridade. Se pedem dinheiro, é burla.

Dados na rua? Nunca: Um funcionário real nunca te vai pedir o NIF ou a morada no meio do passeio. Essas confirmações fazem-se apenas no balcão de atendimento, com o vidro pelo meio.

Confirma a “ajuda”: Entretanto se alguém te abordar a dizer que é funcionário, entra na loja e pergunta ao segurança ou no balcão se aquela pessoa trabalha ali. Vais ver que a “ajuda” desaparece a correr.

A pressa é inimiga da perfeição e a melhor amiga dos burlões. Se a oferta para “saltar a fila” parece boa demais, é porque provavelmente vais sair de lá com menos dinheiro e com os teus dados em mãos erradas. Respira fundo e espera a tua vez. É mais seguro.

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Ana Oliveira
Ana Oliveirahttp://leak
Descobriu a paixão pela tecnologia entre aulas de engenharia e fóruns de gadgets, onde passava horas a debater especificações e novidades. Gosta de explicar tecnologia de forma simples, direta e prática como se estivesse a falar com amigos. É fascinada por tudo o que envolva inovação, privacidade digital e o futuro dos smartphones. Quando não está a escrever, está a testar apps, a trocar de launcher ou a explorar menus escondidos no Android.

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