Bem-vindo de volta, caro leitor, ao terrível mundo dos jogos Survival Horror. Pois é, parece que foi ontem, mas já passaram 5 anos desde que tivemos a mais recente entrada (sem ser remake) neste franchise lendário que deu origem a todo um novo género de gaming.
Dito isto, quando Requiem foi anunciado, muito honestamente fiquei sem saber o que pensar.
Isto porque a Capcom já sofre de uma crise de identidade há muitos anos. Desde o lançamento do RE4 original, que cimentou a passagem de terror para ação.
Isto foi piorando progressivamente até culminar no RE6 (but… we don’t talk about RE6). As reclamações foram tantas que a Capcom decidiu fazer uma espécie de soft reboot e trazer a saga de volta às suas origens com RE7, puxando muito mais pelo terror.
Mas, e agora os fãs que começaram a jogar no RE4 e que gostam da ação?
Entra em cena RE8, que manteve a nova perspetiva em primeira pessoa, algum terror, mas aumentou novamente o combate. Ou seja, agora temos um problema em mãos, um franchise com fãs que gostam de elementos distintos e com os quais não é fácil encontrar um equilíbrio.
Será que é com o Resident Evil 9 que a Capcom conseguiu finalmente agradar a todos?
Vamos descobrir com esta análise.
Resident Evil 9: Requiem (Análise PS5)
História
>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>Após tantos anos e lançamentos que se focaram na expansão deste universo a uma escala global, Resident Evil 9 traz-nos de volta às origens da série. Ou seja, de volta a Raccoon City e a tudo o que isso significa.
Mais concretamente, Requiem tem início com uma das nossas personagens principais nesta aventura, a agente do FBI Grace Ashcroft. (Se o nome Ashcroft lhe parece familiar, é porque já tivemos a oportunidade de jogar com a mãe desta personagem no Resident Evil Outbreak, a Alyssa Ashcroft.)
Entretanto, no seguimento de uma investigação sobre o aparecimento de várias vítimas mortais, todas elas sobreviventes dos eventos de Raccoon City, Grace (ao encargo do FBI) e Leon (ao encargo da DSO) são enviados para investigar a mais recente ocorrência no hotel Wrenwood.
Esta investigação acaba por levá-los a vários locais sombrios, onde juntos pretendem descobrir o derradeiro segredo da Umbrella, que nem uma bomba nuclear foi capaz de esconder.
Gameplay
No que toca ao gameplay e como referi na introdução, a Capcom tentou aqui agradar tanto a gregos como a troianos. Algo que em noventa e nove por cento dos casos corre mal, mas… Felizmente! RE9 é uma exceção. Passo a explicar.
Desde Resident Evil 7 que muitos fãs já esperam câmara em primeira pessoa no que toca a jogos principais da saga, como foi o caso do RE8. Porém, também existem muitos fãs mais antigos, como eu, que preferem jogar na terceira pessoa.
A Capcom decidiu então dar-nos a opção de, a qualquer momento, trocar a câmara sem sequer ter de sair do jogo.
Algo que é importante salientar também, especialmente para fãs mais hardcore, é a opção de escolher entre jogar com ou sem Ink Ribbons. Para quem não sabe, nos Resident Evil mais antigos não havia checkpoints, era necessário chegar a uma save room e ter Ink Ribbons (itens encontrados ao longo do jogo) disponíveis para conseguir gravar.
Ou seja, só podemos gravar um número limitado de vezes durante todo o jogo, aumentando drasticamente a tensão. Afinal de contas, uma má decisão neste campo pode vir a dar-te muitas dores de cabeça.
Porém, não foi só no tipo de câmara que a Capcom decidiu experimentar, foi também na própria estrutura do jogo.
Agora, este pode ser dividido em duas partes, as secções com a Grace e as secções com o Leon.
- Grace Ashcroft: Quando jogamos com a Grace, o foco está sem dúvida mais no terror (a própria Capcom sugere que joguemos estas secções com a câmara na primeira pessoa). Existe combate, mas este é mais parecido com o RE2 Remake, onde os recursos são mais limitados, cada inimigo apresenta uma maior ameaça e até o movimento da personagem é mais pesado e menos ágil. Temos também um inventário limitado, item boxes e muitos puzzles para resolver, ou seja, a experiência RE clássica.
- Leon S. Kennedy: Com o Leon, a história já é bem diferente. A idade não para esta máquina de matar BOWs, desde roundhouse kicks à Van Damme até decapitar zombies à machadada enquanto manda as suas piadas secas, o foco está 100% na ação.
Entretanto, temos um inventário igual a RE4 e RE8, onde jogamos Tetris para encaixar todo o nosso equipamento e até uma forma de comprar e melhorar as nossas armas.
Gráficos e Performance

>Acho que chegámos ao ponto em que não há muito mais a fazer com a PlayStation 5, uma consola que já tem quase seis anos e que, apesar de todos os rumores a falar de um adiamento da futura PlayStation 6, está em fim de vida.
Com isto não quero dizer que o jogo está horrível, as cutscenes são bonitas, os mapas e ambientes são extremamente detalhados e a iluminação está excelente.
>Simplesmente temos o famoso efeito “vaselina”, onde para manter os FPS mais altos há um decréscimo acentuado na resolução da imagem, fazendo parecer que tudo se encontra um pouco desfocado. Fica a ideia de que a equipa trabalhou mais na versão Pro do jogo, deixando a PS5 base um bocadinho para trás.
Muito sinceramente, acho que a Capcom fez o melhor que podia com o hardware disponível. A realidade é que, a não ser que se trate de um jogo altamente estilizado ou um first party da Sony, a grande maioria das minhas experiências recentes na PS5 tem tido este problema.
Conclusão
Bem, posso dizer que a Capcom arriscou como poucas vezes vi nesta indústria.
Tinha sido fácil manter a fórmula de RE7 e RE8, mas houve a tentativa de inovar e de juntar todos os fãs numa única experiência.
Na minha opinião, foi em grande parte um sucesso.
Digo em grande parte porque, apesar de individualmente as secções de ação e terror estarem muito bem conseguidas, considerei-as por vezes curtas, sendo forçado a trocar de personagem ou de local demasiado cedo (acaba por ser um elogio, queria mais).
Dito tudo isto, a história é cativante e leva-nos de volta às origens, preenchendo lacunas e mistérios relativos à Umbrella. Posso dizer que até fiquei com arrepios quando me encontrei de volta em Raccoon City.
Em suma, fico muito feliz por poder recomendar Resident Evil Requiem a todos os fãs desta saga. Pois sinto realmente que há aqui algo para todos nós.
A análise
Resident Evil 9 - Requiem
Um jogo que faz sentido, que arrisca em algumas coisas, mas que sabe o que está a fazer. É uma boa aposta.
PROS
- História
- Jogabilidade
CONS
- Gráficos









