Processadores de 1nm? Calma lá… Só em 2034 e com muita engenharia à mistura! O que deverá causar alguma preocupação a quem produz hardware, porque nos dias que correm, os grandes saltos de performance são feito a partir da adoção de novos processos de produção.
Ou seja, é cada vez mais complicado miniaturizar o transístor, e como tal, apesar do facto de a Lei de Moore ainda não ter morrido, a realidade é que começa a andar um bocadinho a passo de caracol. Aliás, o problema nem é o espaço de tempo, é mesmo o dinheiro que se gasta para dar um passo em frente.
Quando é que chegam os processadores de 1nm? Calma!

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Se achas que a evolução dos processadores continua a andar depressa, é melhor tirares o cavalinho da chuva. Recentemente, a IMEC (o maior centro de investigação de nanoeletrónica do mundo) revelou o seu plano para as próximas décadas, e a conclusão é clara: chegar ao “mítico” 1nm vai demorar muito mais do que o marketing das marcas nos quer fazer acreditar.
Ou seja, segundo os dados, a tecnologia sub-1nm só deverá ser uma realidade palpável por volta de 2034. Até lá, vamos andar a “brincar” com otimizações do que já temos, porque produzir estas máquinas está a tornar-se um pesadelo logístico e financeiro.
O fim da densidade fácil?
Antigamente, entre 1998 e 2010, a densidade da lógica duplicava quase todos os anos. Era uma festa. Mas desde 2010 que entrámos numa escala linear. Ou seja, já não conseguimos simplesmente “encolher” as coisas como antigamente. Para compensar, a indústria virou-se para o empilhamento 2.5D e 3D (chiplets), o que ajuda a manter a performance a subir, mas traz novos problemas de calor e consumos.
Entretanto, a Apple e a Intel estão agora a entrar na era dos 2nm e sub-2nm (os nós A16, A14 e por aí fora), mas isto ainda é baseado na tecnologia de “Nanosheets”. O verdadeiro salto só acontece quando esgotarmos este formato, lá para 2031.
A era Angstrom: O que vem aí?
Quando chegarmos finalmente a 2034, vamos conhecer os CFETs (Complementary FETs).
Imagina pegar nos transístores atuais e empilhá-los verticalmente para poupar espaço. É aqui que entra o nó A7 (0.7nm), seguido pelo A5 (0.5nm) em 2036 e o A3 (0.3nm) em 2040.
E se achas que isto já é ficção científica, o roteiro prevê que em 2043 entremos na era dos transístores 2D, com nós de 0.2nm. É uma escala tão minúscula que vamos precisar de materiais novos, como o Ruténio, para substituir o cobre nas ligações internas, porque o cobre simplesmente deixa de funcionar bem nestas dimensões.
Marketing vs Realidade
Como leitor da Leak, sabes que eu gosto de separar o trigo do joio. Este roteiro da IMEC é teórico e focado na investigação. Uma coisa é o desenvolvimento estar pronto num laboratório na Bélgica, outra muito diferente é a TSMC ou a Intel conseguirem produzir milhões destes chips sem defeitos e a um preço que não nos obrigue a vender um rim.
Entretanto, até 2034, o foco vai ser a inteligência da arquitetura e o empilhamento de chips, e não tanto o tamanho bruto do transístor. A evolução continua, mas a era dos saltos gigantescos de dois em dois anos ficou no passado. Agora, a luta é feita átomo a átomo, e como tal, a performance vai deixar de ser o fator vendedor de um produto.
Vai ter de existir maior eficiência no lado de quem desenvolve o software, e se possível, inteligência e irreverência para fazer mais com o hardware atual.





