Se tens a sensação de que não para de chover há semanas, ou há meses, não é só impressão tua. A circulação atmosférica tem estado montada quase à medida para trazer chuva atrás de chuva para cima de Portugal.
É um fenómeno estranho, mas que pode ser explicado.
O Atlântico tropical está mais quente
Uma das peças-chave está na temperatura da água no Atlântico tropical. Ou seja, quando a superfície do oceano está mais quente do que o normal, a atmosfera consegue transportar muito mais vapor de água.
Em linguagem mais simples, há mais “combustível” disponível para formar nuvens carregadas e precipitação intensa. A quantidade de água na massa de ar aumenta e, quando essa massa de ar encontra condições favoráveis, a chuva é inevitável.
A depressão organiza tudo
Mesmo quando uma depressão não nos atinge diretamente, pode influenciar fortemente o que acontece por cá. Como tem sido o caso dos últimos dias
Temos o exemplo da depressão Nils. Apesar de não ter passado exatamente por cima de Portugal, ajudou a organizar uma circulação de sudoeste persistente. Essa circulação funcionou como uma espécie de autoestrada atmosférica, arrastando ar tropical muito húmido em direção à Península Ibérica.
Pluma tropical + baixa pressão = muita chuva
Quando essa massa de ar extremamente húmido chega a uma região com baixa pressão e frentes ativas, cria-se o cenário perfeito para precipitação intensa e prolongada. É por isso que, além da chuva, também se sente muitas vezes aquele ambiente abafado e pesado.
Uma circulação persistente
O maior problema não foi apenas a intensidade da chuva, mas sim a persistência do padrão.
Durante vários dias, ou mesmo semanas, a circulação manteve-se quase bloqueada na mesma configuração. Isso significa depressões sucessivas, sempre com acesso a ar muito húmido vindo do Atlântico.
Resultado das alterações climáticas?
Não é possível atribuir um único episódio exclusivamente às alterações climáticas. Mas há algo que os dados mostram de forma consistente: oceanos mais quentes significam mais vapor de água disponível na atmosfera.
Mais vapor de água significa potencial para episódios de precipitação mais intensos.
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