As imagens da missão Artemis II da NASA são absolutamente deslumbrantes. No entanto, muitos espetadores notaram a ausência de um elemento muito discutido na atualidade: o lixo espacial. Apesar de existirem alertas constantes sobre os detritos que orbitam o nosso planeta, nenhum aparece nas fotografias captadas durante a viagem à Lua. A resposta a este mistério reside na forma como o espaço funciona e na extrema dificuldade em observar estes objetos.
Lixo espacial: uma preocupação crescente na órbita terrestre
Antes de mais, os cientistas alertam há muito tempo para a quantidade crescente de lixo a circular a Terra. Este lixo inclui satélites inativos e pequenos fragmentos de missões anteriores. Neste sentido, o grande perigo apontado é a temida síndrome de Kessler. Este cenário trágico prevê que as colisões gerem ainda mais detritos, aumentando drasticamente o risco de novos embates.

Efetivamente, a maioria deste lixo espacial move-se a velocidades alucinantes. Os objetos chegam a ultrapassar facilmente os 28 mil quilómetros por hora. Os especialistas estimam a existência de milhões de detritos maiores do que um centímetro. Além disso, a estes juntam-se dezenas de milhões de fragmentos ainda mais pequenos e impercetíveis.
O motivo pelo qual as câmaras não captam os detritos
Por outro lado, mesmo com números tão assustadores, detetar lixo espacial numa fotografia é altamente improvável. A esmagadora maioria dos fragmentos é demasiado pequena para ser vista a olho nu. Consequentemente, também não conseguem ser registados de forma clara pelas lentes das câmaras normais.
Existe uma probabilidade ínfima de os astronautas conseguirem fotografar uma peça maior. Porém, as condições teriam de ser absolutamente perfeitas. A nave e o lixo viajam a velocidades extremas e cruzam-se num ápice. Desta forma, as probabilidades de captar uma imagem nítida no momento exato são praticamente nulas.
A localização exata do lixo espacial
Adicionalmente, a altitude desempenha um papel fundamental nesta equação. A maior concentração de lixo espacial encontra-se na órbita terrestre baixa. Esta zona situa-se entre os 750 e os 1000 quilómetros acima do nosso planeta.
Muitas vezes, durante as fases iniciais do lançamento, os astronautas estão totalmente focados nas operações críticas de voo. Assim sendo, não têm tempo nem oportunidade para olhar pela janela e fotografar o exterior. A nave viaja tão rápido nesta fase que identificar objetos soltos torna-se uma tarefa impossível de realizar.

A segurança da tripulação continua garantida
Apesar de o lixo espacial ser invisível nas fotos, ele marca presença constante na exploração humana. A Estação Espacial Internacional enfrenta encontros regulares com estes pequenos detritos. Ainda assim, as naves atuais possuem escudos robustos para suportarem o impacto destas partículas minúsculas sem sofrerem danos estruturais.
Paralelamente, existem sistemas avançados de monitorização que seguem os detritos maiores para evitar colisões mortais no espaço. Em suma, o problema do lixo é bastante grave e real. Portanto, os astronautas não navegam num autêntico mar de lixo visível, pois o espaço é incrivelmente vasto e os objetos estão separados por distâncias imensas.







