Como deves saber, se andas atento à guerra contra a pirataria aqui ao lado, a LaLiga, liderada por Javier Tebas, declarou guerra total contra quem compra e partilha sinal ilegal. Porém, o método está a ser um autêntico desastre para quem não tem nada a ver com o assunto.
Afinal de contas, tal e qual como já aconteceu em Itália com o “Piracy Shield”, ao tentarem bloquear as plataformas de IPTV e sites ilegais, as autoridades estão a mandar abaixo milhares de serviços legítimos que partilham a mesma infraestrutura na nuvem. É o caos absoluto, e acaba por pagar o justo pelo pecador.
Mas, aqui temos de ir à procura do problema basilar. Ou melhor, perceber o porquê de a pirataria teimar em simplesmente não desaparecer.
Por que é que a pirataria não morre?
A resposta é tão simples quanto óbvia. A pirataria não desaparece porque os serviços legais estão cada vez mais limitados e, claro, absurdamente caros. Em Portugal, se quiseres ver todos os jogos do teu clube do coração com as subscrições todas em dia, vais ter de gastar mais de 600€ por ano.
Como se isso não bastasse, para assinares a SportTV ou a BTV, continuas muitas vezes preso a um contrato com uma operadora de Internet e TV. Não podes, pura e simplesmente, subscrever uma conta independente e aceder através de uma app em qualquer lado sem complicações.
Pior que tudo isto? Não é possível comprar “jogo-a-jogo”. Ou tens o pacote todo, ou não tens nada.
Por isso, as pessoas fogem para aquilo que conseguem pagar: as plataformas de IPTV Pirata. Estas são capazes de oferecer tudo e mais alguma coisa por preços que, em muitos casos, não chegam a 50€ ou 60€… por ano. Aliás, já existe tanta concorrência dentro deste ecossistema ilegal que encontras ofertas para todos os gostos: desde os 20€ apenas com canais, até aos 60€ com séries e filmes atualizados diariamente.
O exemplo da música: Por que é que aqui a pirataria caiu a pique?
A resposta tem um nome: Spotify. E claro, o YouTube Music, Tidal e outros que vieram atrás. Estas plataformas oferecem conteúdo de qualidade, sem grandes guerras de exclusividade e de forma simples. É muito provável que consigas ouvir todas as músicas de que gostas em qualquer uma delas, sem teres de saltar de app em app ou pagar cinco faturas diferentes.
Além disso, apesar dos aumentos ao longo dos anos, são serviços com um preço decente. Como tal, as pessoas preferem pagar a comodidade do que andar a “sacar” músicas ilegalmente.
Conclusão: A solução está na carteira!
Como seria de esperar, a medida mais eficaz contra a pirataria é garantir conteúdo a preços acessíveis. Os utilizadores estão dispostos a pagar, desde que o valor seja razoável e o serviço seja flexível. Enquanto as operadoras e as ligas insistirem em cobrar “preços de ouro” e em usar táticas de censura digital que afetam toda a gente, a pirataria vai continuar a ser a única alternativa para muitos.
O poder de mudar o jogo está do lado de quem define os preços. Se o futebol quer acabar com a pirataria, tem de começar por olhar para a fatura que envia aos clientes. Até lá, vamos continuar neste jogo de gato e rato onde quem perde, como sempre, é a liberdade da Internet e o teu bolso.








