Os botões estão a voltar aos carros. Ainda bem!

Isto é algo que sempre critiquei nesta nova geração de automóveis. Queres mudar a temperatura do ar-condicionado, tens de ir a menus estranhos e escondidos, queres desligar uma ADA, tens de ir a menus estranhos e escondidos. Tudo isto porque os botões desapareceram do automóvel moderno, para se esconderem no ecrã touch central que podemos encontrar em qualquer modelo recente.

Durante anos, a indústria automóvel convenceu-se de que o futuro passava por ecrãs gigantes, superfícies tácteis e menus escondidos dentro de menus. Botões? Coisa do passado. Algo antiquado. Mas… Há uma razão para os botões serem reis! São baratos, e funcionam! Consegues sentir o toque, e estão logo ali à mão.

Agora, curiosamente, várias marcas começam a dar o braço a torcer.

Quando tudo ficou dentro do touchscreen… e correu mal

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A febre dos ecrãs não é nova, mas ganhou outra escala quando a Tesla lançou o Model S em 2012 com um ecrã central de 17 polegadas a controlar praticamente tudo. O resto da indústria seguiu atrás, quase sem pensar duas vezes.

O problema aqui é… A Tesla não foi perfeita, mas soube implementar tudo de forma simples. As outras não. Optaram por ecrãs mais pequenos, e menus muito mais complexos e por isso pouco intuitivos. Depois foi o caos.

  • Climatização? No ecrã.
  • Aquecimento dos bancos? No ecrã.
  • Faróis, modos de condução, assistências? Tudo enterrado em menus.

Algumas marcas foram ainda mais longe e decidiram remover botões do volante, comandos físicos e até o painel de instrumentos tradicional. Na teoria parecia moderno. Na prática, revelou-se um problema sério.

Ecrãs não são bons para tudo. Muito menos para conduzir

Vários estudos começaram a mostrar aquilo que qualquer condutor já sentia na pele.

Um estudo da Universidade de Lisboa concluiu que o tempo de reação dos condutores aumenta de forma significativa quando usam comandos digitais em vez de botões físicos. Mais grave ainda, cerca de 80% dos participantes cometeram mais erros com controlos tácteis, contra apenas 20% com botões tradicionais.

Outro estudo do Transport Research Laboratory no Reino Unido chegou a conclusões semelhantes. Ou seja, mais distração, mais erros, mais risco. Isto não é um detalhe menor, quando a maioria dos acidentes continua a ter origem em erro humano.

A segurança entrou oficialmente na equação

A coisa ficou séria quando o Euro NCAP decidiu agir.

A partir de 2026, certos controlos essenciais têm de ser físicos para que um carro consiga a classificação máxima de 5 estrelas. Falamos de funções básicas como piscas, limpa para-brisas ou buzina.

Não é uma obrigação legal direta, mas na indústria automóvel uma classificação de segurança pesa muito. Nenhuma marca gosta de lançar um carro novo com menos estrelas do que o concorrente.

O recado ficou dado.

As marcas já começaram a recuar

Algumas nem esperaram.

id.1 - vw levantou o véu, mas o entusiasmo parece ser pouco

A Volkswagen admitiu publicamente que errou. O próprio chefe de design da marca garantiu que não voltariam a repetir a experiência de esconder tudo em ecrãs. Os novos modelos já trazem botões físicos de volta, especialmente para funções essenciais.

A Mercedes, conhecida pelos seus interiores futuristas cheios de ecrãs, também reconheceu que os dados mostram uma preferência clara pelos botões. Os próximos modelos vão trazer mais comandos físicos, incluindo novos volantes com botões reais.

O resto vai por arrasto.

Tecnologia não é eliminar botões. É usá-los bem

Este é talvez o ponto mais importante.

O problema nunca foi a tecnologia. O problema foi a obsessão em digitalizar tudo, mesmo aquilo que já funcionava perfeitamente. Mas aqui entra também a parte económica. Sim, um botão é barato. Mas sabes o que é ainda mais barato que um botão? É não meter nenhum botão.

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Nuno Miguel Oliveira
Nuno Miguel Oliveirahttps://www.facebook.com/theGeekDomz/
Desde muito novo que me interessei por computadores e tecnologia no geral, fui sempre aquele membro da família que servia como técnico ou reparador de tudo e alguma coisa (de borla). Agora tenho acesso a tudo o que é novo e incrível neste mundo 'tech'. Valeu a pena!

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