Há textos que parecem exagerados à primeira leitura, mas que acertam em cheio no sentimento geral. Este é um deles. A ideia é simples e brutal ao mesmo tempo: pela primeira vez em 30 anos, a Nvidia não vai lançar novas placas gráficas focadas no mercado tradicional em 2026.
Não é bem porque não quer. É mais porque não pode. Ou melhor, porque não faz sentido comercial tendo em conta a indústria atual. Novas placas gráficas seriam extremamente caras de produzir, e claro, de vender.
A justificação é aquela que já todos conhecemos. Falta de memória, falta de recursos, tudo sugado pela indústria da IA. Mas… Sabes quem é que está enterrada em IA até ao pescoço?
De empresa de placas gráficas para empresa de IA

A leitura que muitos fazem é inevitável. A Nvidia já não é, na prática, uma empresa de hardware para jogadores. É uma empresa de infraestrutura para inteligência artificial.
No fundo, é a mesma história da memória RAM. Os centros de dados pagam mais, compram em volume e não reclamam do preço. Os gamers fazem barulho, reclamam de falta de VRAM e comparam benchmarks. É chato, porque dá trabalho. Por isso, a escolha para a Nvidia é óbvia.
O problema é que isto está a acontecer num momento estranho…
A mesma empresa que diz não ter recursos para o mercado gaming está disposta a investir cerca de 20 mil milhões de dólares para ajudar a manter a OpenAI à tona. Sim, caso não saibas, a grande responsável pelo ChatGPT está à rasca de dinheiro, porque no final do dia, o IA ainda não é aquilo que muitos querem fazer crer.
Pois… Não é exatamente o sinal de uma indústria confiante e estável. Parece mais uma tentativa de proteger um castelo que ainda não se provou sustentável a longo prazo.
A bolha da IA começa a meter medo!
Aqui entra a parte mais desconfortável. A própria liderança da Nvidia já admitiu que é ilógico achar que a IA vai substituir completamente o software tradicional. Afinal de contas, se até quem está a vender as pás começa a duvidar da corrida ao ouro, algo não bate certo.
Os investidores começam a perceber que os retornos prometidos podem não chegar na escala anunciada. A pressão aumenta. E quando isso acontece, quem paga a fatura costuma ser o segmento menos lucrativo. Neste caso, os jogadores.
Os gamers ficaram para trás…
Durante décadas, o gaming foi a base do crescimento da Nvidia. Foi esse mercado que financiou inovação, arquitetura, ecossistema e marca. Agora, é tratado como um detalhe secundário. A escassez de VRAM, os preços inflacionados, lançamentos cada vez mais confusos e, agora, a ideia de um ano inteiro sem novas gráficas dizem tudo.
Trata-se da sensação clara de abandono.
Valeu a pena?
A pergunta final é simples e desconfortável. Valeu a pena sacrificar uma comunidade inteira por uma aposta que ainda não provou ser tão sólida como prometido? Se a IA falhar, a empresa vai voltar de joelhos aos jogadores? E estes? Vão aceitar de volta?
Mas uma coisa é certa. Se a bolha da IA rebentar ou simplesmente abrandar, a Nvidia pode descobrir que virou costas demasiado depressa a quem a colocou no topo. Esperemos que nesse dia, reconquistar os gamers seja bem mais difícil do que treinar mais um modelo de IA.

