Comprar telemóvel até 400 euros em Portugal é aquele jogo clássico: ou apanhas um “quase topo de gama” em promoção e sorris, ou pagas 399€ por um aparelho que, na prática, é um 250€ com maquilhagem. E sim, devias ficar irritado com isto – porque o marketing adora a tua pressa.
A boa notícia é que, em 2026, os 400€ já compram muita coisa boa: ecrãs OLED decentes, 5G, câmaras competentes e baterias que não imploram por carregador ao fim da tarde. A má notícia é que o “melhor telemóvel até 400 euros” não é um modelo único para toda a gente. Depende do que tu fazes mesmo com o telemóvel, do tipo de fotos que tiras, e da tua tolerância para bloatware, aquecimento e atualizações que chegam tarde.
O que interessa mesmo num telemóvel até 400€
Há cinco coisas que separam um negócio a sério de uma compra por impulso. O problema é que as caixas e as páginas de produto falam de megapíxeis e “AI”, mas não te dizem se vais odiar o telemóvel passado um mês.

Desempenho: não é só o processador
A maioria das pessoas olha para o chip e acha que acabou ali. Esquece. O desempenho real é uma mistura de processador, memória, velocidade do armazenamento e, sobretudo, optimização do software. Podes ter um chip “bom no papel” e depois uma interface carregada de animações, notificações e serviços a correr em segundo plano.
Para 400€, o ideal é apontares a 8GB de RAM (6GB ainda dá, mas já é o mínimo) e armazenamento rápido com pelo menos 128GB – 256GB é o ponto ideal para não andares a apagar vídeos e aplicações.
Ecrã: OLED é o novo “mínimo decente”
Se passas o dia no Instagram, YouTube, TikTok ou a ler, o ecrã é metade da experiência. Um OLED bem afinado, com brilho alto e boa gestão de cores, faz mais diferença do que uma câmara com números bonitos. E taxa de refrescamento a 120Hz é daquelas coisas que, quando te habituas, custa voltar atrás.
Só há um “mas”: há OLEDs baratos com brilho fraco ao sol e PWM agressivo (flicker) que incomoda algumas pessoas. Se és sensível, convém testares numa loja ou comprares num sítio com devolução fácil.

Câmara: consistência > truques
A 400€, já consegues fotos muito boas com luz decente. O que distingue os melhores é a consistência: HDR bem feito, foco rápido, boa pele em retratos sem parecer boneco, e vídeo estável. O ultra grande angular costuma ser o primeiro sítio onde as marcas cortam, por isso não te apaixones por “3 câmaras” se depois duas são quase decorativas.
Se tiras muitas fotos à noite, procura estabilização óptica (OIS) no sensor principal. Nem sempre existe neste segmento, mas quando existe, sente-se.
Bateria e carregamento: o equilíbrio
A regra simples: 5000mAh é comum e suficiente. O que varia é a eficiência do chip e a forma como o software gere o consumo. Há telemóveis com 5000mAh que duram menos do que outros com a mesma capacidade.

No carregamento, 67W a 100W soa espectacular, mas às vezes vem com o truque de aquecer mais e degradar mais rápido. Se tu carregas sempre à pressa, ótimo. Se carregas à noite e queres que a bateria dure anos, um carregamento mais moderado e boa gestão térmica podem ser preferíveis.
Atualizações: a parte aborrecida que manda em tudo
Aqui está a verdade chata: o telemóvel que recebe atualizações mais cedo e durante mais tempo envelhece melhor. Menos bugs, mais segurança, mais compatibilidade com aplicações e, em muitos casos, melhor câmara com melhorias via software.
Se estás indeciso entre dois modelos parecidos, escolhe o que tem melhor histórico de atualizações. Vais agradecer quando não estiveres preso a um Android antigo com falhas e aplicações a encerrar inesperadamente.
Melhor telemóvel até 400 euros: perfis de compra (e escolhas típicas)
Em vez de atirar 10 modelos para cima de uma mesa, faz mais sentido escolher pelo teu perfil. E sim, isto vai poupar-te tempo.
Queres a melhor câmara pelo dinheiro
Se a tua prioridade é fotografar (e não só “dar para o gasto”), procura a linha Google Pixel da geração anterior em promoção. Um Pixel 7a ou Pixel 8a, quando cai perto dos 400€, costuma dar-te processamento de imagem acima do preço. Não é magia, é software: pele natural, HDR forte, modo noite competente e resultados consistentes sem teres de mexer em definições.
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O trade-off é simples: carregamento não é o mais rápido do mercado e o hardware bruto pode não impressionar em benchmarks. Mas para fotografia e uma experiência Android “limpa”, costuma ser das escolhas mais seguras.
Queres desempenho e fluidez para tudo
Aqui entram os “matadores” de gama média com chips mais agressivos. POCO e Redmi (Xiaomi) costumam oferecer muito desempenho por euro, e a OnePlus (linha Nord) também aparece com propostas equilibradas quando há promoções.
O lado menos sexy: software com mais extras (e às vezes mais notificações e aplicações pré-instaladas do que pediste), e câmaras que podem ser excelentes de dia mas inconsistentes à noite. Se jogas, usas emuladores, ou tens mil aplicações abertas, faz sentido apontar para este tipo de telemóvel.

Queres bateria e estabilidade
Se o teu objetivo é não pensar no telemóvel o dia todo, marcas como Samsung (linha Galaxy A) e, em alguns casos, Motorola, tendem a oferecer uma experiência mais previsível: boa autonomia, ecrãs competentes e um software com menos “surpresas” do que certas alternativas.
A Samsung, em particular, costuma ser forte em atualizações e segurança, o que é meio caminho andado para ficares descansado. O trade-off costuma ser o carregamento mais lento e, por vezes, menos “brilho” em specs brutas comparado com chineses mais agressivos.
Queres um telemóvel pequeno (ou pelo menos não gigante)
Más notícias: o mercado decidiu que as mãos humanas cresceram. Boas notícias: ainda há modelos mais compactos, mas nem sempre dentro dos 400€ e nem sempre com bateria brilhante.
Aqui, o “melhor” depende muito do conforto. Se odeias tijolos, dá prioridade às dimensões e ao peso, mesmo que sacrifiques um pouco de autonomia. Um telemóvel que te apetece usar é melhor do que um monstro com specs que ficam na prateleira.
Como evitar a compra errada (mesmo que a promoção esteja a gritar)
A tentação é ver “-30%” e clicar em “comprar”. Mas há três verificações rápidas que evitam 80% dos arrependimentos.
Primeiro, confirma a versão de armazenamento e RAM. O mesmo modelo pode existir em 6/128 e 8/256, e a diferença no dia a dia pode ser maior do que a diferença de preço. Segundo, olha para o suporte de software. Se a marca tem histórico de largar atualizações cedo, o desconto pode sair caro. Terceiro, pensa no teu uso real: se tiras mais vídeos do que fotos, dá prioridade a estabilização e qualidade de vídeo, não a megapíxeis.

E já agora: não assumes que “IP68” ou “resistente à água” significa que podes levar o telemóvel para a piscina. A água do mar, o cloro e o desgaste normal fazem estragos. A garantia também costuma ter uma opinião muito própria sobre o que é “acidente”.
Onde é que os 400€ são mesmo bem gastos
Há um ponto curioso: muitas vezes o melhor telemóvel até 400 euros não é o modelo que custa 399€ no lançamento. É o que custava 499€ ou 549€ há 6-9 meses e caiu em promoção. Essa descida costuma trazer melhorias reais: melhor sensor principal, melhor ecrã, mais anos de atualizações ou construção superior.
Por isso, se queres maximizar valor, mantém uma shortlist de 2-3 modelos e espera por uma boa queda de preço. A Leak.pt costuma acompanhar promoções e quedas de preço com frequência, por isso vale a pena estares atento por lá: https://leak.pt.
O meu “filtro” rápido para escolher hoje
Se me disseres “tenho 400€ e não quero pensar muito”, eu começava por isto: escolhe primeiro o teu pilar (câmara, desempenho, bateria/atualizações), depois escolhe a marca onde confias mais no software, e só no fim olhas para extras como carregamento ultra rápido, câmaras secundárias e design.
Porque a verdade é esta: quase todos os telemóveis até 400€ são bons no primeiro dia. O melhor é o que continua bom no dia 300, quando a bateria já levou carga atrás de carga e tu só queres que o telemóvel responda, tire boas fotos e não te deixe pendurado com falhas de segurança.
Se comprares com essa lógica, até podes falhar no “modelo perfeito” – mas acertas no telemóvel certo para ti. E isso, sim, é uma escolha inteligente.

